Crise energética reflete “atraso penalizador” nas

Crise energética reflete "atraso penalizador" nas

“Se há altura onde nós percebemos que o adiamento da execução de algumas decisões como esta das interconexões – e não é apenas a interconexão ibérica porque há outras no território da União Europeia -, (…) é penalizador para todos nós é a altura que estamos a viver”, afirmou Luís Montenegro, falando aos jornalistas portugueses em Bruxelas no final de um Conselho Europeu. Ao final de uma reunião dos chefes de Governo e de Estado da União Europeia (UE) que durou mais de 12 horas e dominada pelos altos preços energéticos, o primeiro-ministro apontou que “os calendários têm sido sucessivamente ultrapassados, mas o nível de comprometimento (…) nunca foi tão alto por parte dos Estados-membros e nunca foi tão alto por parte da Comissão”. “Se nós tivéssemos hoje maior capacidade de utilizar, nomeadamente a energia elétrica, nós estaríamos menos dependentes dos combustíveis fósseis que alimentam grande parte da capacidade industrial da Europa e de vários Estados-membros e nós não podemos fazê-lo”, apontou. Segundo Luís Montenegro, a UE “desperdiçou muito dessa capacidade precisamente porque não está ligada”. “Evidentemente que não é apenas isso. Esse é apenas um, mais um, dos instrumentos que temos para ter um mercado energético na Europa que seja robusto, resiliente e que possa ter um preço mais acessível, mas eu estou a crer que, com aquilo que foi assumido, com a inclusão que é inevitável nos próximos fundos e nos próximos instrumentos de financiamento, precisamente destes investimentos, que vamos conseguir chegar a bom porto e que vamos conseguir, para além das interconexões, fazer o reforço das redes internas, que foi uma matéria que também esteve em cima da mesa”, adiantou chefe de governo. O território ibérico tem conectividade abaixo de 3% com o resto da União. O Governo português tem defendido um aumento da interligação energética de Portugal com o resto da UE para 15% até 2030, através da construção de mais interligações. A UE estabeleceu precisamente uma meta de interconexão de pelo menos 15% até 2030. O reforço das interligações energéticas entre Portugal e Espanha e a UE tem sido discutido há vários anos, mas devido ao ceticismo da França isso nunca avançou totalmente, apesar de ser importante para aumentar a segurança energética, reduzir a dependência de combustíveis fósseis, diminuir custos e facilitar a transição para energias renováveis. O Conselho Europeu se reuniu hoje em Bruxelas para discutir como a UE pode conter os impactos da escalada militar no Oriente Médio dados os altos preços da energia, garantindo também segurança no fornecimento de energia. Este foi o primeiro encontro presencial de alto nível desde o início dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã e a resposta iraniana resultante no final de fevereiro. A escalada do conflito no Oriente Médio, região crucial para o fornecimento global de combustíveis fósseis, está provocando uma alta acentuada nos preços do petróleo e do gás e afetando a economia europeia, com impacto direto nas famílias e no poder de compra dos consumidores. Leia Também: Após tempestades, “Portugal não vai perder, nem devolver, nenhuma verba”

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