Donativos Enviados a Moçambique Caíram Para 325 M€ em 2025 •

Donativos Enviados a Moçambique Caíram Para 325 M€ em 2025 •

advertisemen tOs donativos externos enviados a Moçambique voltaram a cair pela metade em 2025, em relação ao ano anterior, fixando-se em 325 milhões de euros. Estes continuam representando a terceira fonte de financiamento das contas públicas, segundo dados oficiais. Segundo relatórios de execução orçamentária do governo, essa tendência já se verificava em 2024. Naquele ano, as doações também registraram uma queda de cerca de 50%, ficando em 575 milhões de euros. O Governo justifica a nova redução “pelo baixo nível dos desembolsos pelos parceiros para execução dos projetos de investimento”. Essa explicação consta no documento de execução orçamentária referente ao último exercício financeiro. Em 2025, as doações externas corresponderam a apenas 40,9% da previsão anual do governo. Desse montante, 56,3 milhões de euros foram concedidos em espécie, mostrando limitações no apoio financeiro direto. Já os créditos externos chegaram a R$ 88 milhões, o equivalente a 21,6% da previsão anual. Esses números confirmam um desempenho abaixo do esperado no financiamento externo ao Estado. Segundo a execução orçamentária de 2025, as receitas do Estado constituíram a principal fonte de recursos, com 76,8% do total mobilizado. Seguiram-se créditos internos com 7,9%, doações externas com 5,2% e créditos externos com 1,4%. Os créditos internos, resultantes da emissão de dívida doméstica, superaram em muito o previsto para 2025. A taxa de execução atingiu 178,1%, incluindo 74,6 milhões de euros em Obrigações do Tesouro, 380 milhões em Bilhetes do Tesouro e 396 milhões em adiantamentos do Banco de Moçambique. “Os gastos excessivos com a folha de pagamento do funcionalismo e o crescente serviço da dívida estão consumindo recursos destinados ao desenvolvimento e à proteção social”Fundo Monetário Internacional Apesar da redução das doações recebidas, o Governo disse ter assinado ao longo de 2025 um total de 13 acordos de doações. Esses compromissos totalizam 721 milhões de euros, apontando para possíveis financiamentos futuros. Enquanto isso, o Fundo Monetário Internacional (FMI) pediu, em fevereiro, maior contenção na massa salarial do funcionalismo público em Moçambique. A instituição também defendeu a implementação de uma reforma estrutural tributária urgente e maior flexibilidade cambial. “O adiamento das reformas agravará a crise e aumentará os custos de ajuste. É necessária uma ação imediata e coordenada com urgência para restaurar a estabilidade, proteger grupos vulneráveis ​​e lançar as bases para um crescimento sustentável e inclusivo”, disse o FMI. No documento aprovado em 13 de fevereiro, o FMI considerou que o “compromisso das autoridades” com reformas fiscais e de governança “é encorajador, mas a implementação será fundamental”. A análise surge em um contexto de dificuldades no crescimento econômico e no financiamento. A instituição alertou para “grandes desequilíbrios internos e externos”, apontando “sérios riscos de curto prazo para a sustentabilidade macroeconômica e da dívida” do País. Ele também destacou desafios como pobreza, fragilidade institucional e alta vulnerabilidade climática. O FMI também avançou que um eventual relaxamento da política fiscal “constitui a principal ameaça à estabilidade macroeconômica”, acrescentando que os encargos com salários e o serviço da dívida continuam a pressionar as finanças públicas. Gastos do Estado no serviço público “Os gastos excessivos com a folha de pagamento do serviço público e o crescente serviço da dívida estão consumindo recursos destinados ao desenvolvimento e à proteção social”, disse a avaliação da instituição. A organização argumentou que “atingir um saldo primário de 2% do PIB até 2027 alinharia as necessidades de financiamento de Moçambique com as normas regionais”, considerando ainda essencial uma comunicação clara para reforçar a confiança pública. Por fim, o FMI enfatizou que “reformas estruturais fiscais são essenciais para o crescimento inclusivo e a resiliência”, destacando que a proteção dos mais vulneráveis ​​deve continuar sendo uma prioridade no País. Recentemente, Moçambique liquidou integralmente sua dívida com o FMI, em uma operação de forte significado institucional, mas com impacto econômico imediato reduzido. Apesar de reforçar a credibilidade externa do País, analistas avaliam que o reembolso pouco altera, no curto prazo, a pressão sobre o caixa do Estado e o quadro geral de sustentabilidade da dívida. Fonte: Lusaa dvertisement

Publicar comentário