“Economia portuguesa vai continuar robusta”. Exportações?

O governador do Banco de Portugal (BdP), Álvaro Santos Pereira, afirmou, esta quarta-feira, que “as projeções para 2026” apontam para “uma certa confiança” e que se prevê que a economia portuguesa “vai continuar robusta”. “Estamos a prever que a economia portuguesa vai continuar robusta, ou seja, se compararmos a economia portuguesa na última década e meia, é uma transformação verdadeiramente incrível. Passamos para um crescimento que é robusto”, referiu, na “Grande Entrevista”, na RTP Notícias. Álvaro Santos Pereira apontou que, embora não seja “um crescimento espetacular”, “é robusto, com uma inflação a rondar os 2%”, destacando como “motores de crescimento” o “consumo” e dizendo que “vai haver mais investimento do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência”. No entanto, ressalvou que “as exportações vão ser uma grande incógnita porque perdemos quota de mercado pela primeira vez”. “É importante que consigamos monitorizar bem o que se passa com as exportações”, disse. Questionado sobre quais são os riscos, internos e externos, que podem condicionar a evolução da trajetória da economia, o governador do BdP salientou que, a nível externo, “tem que ver com os mercados financeiros”: “Há análises que mostram que tem havido uma sobrevalorização dos mercados, não só nos Estados Unidos, mas noutras partes do mundo”. “Se houver uma correção e se for acentuada, terá um impacto grande a nível mundial”, sublinhou. Já a nível interno, a “preocupação” passa pelo “mercado imobiliário”, tendo em conta a “subida dos preços das casas”, assumindo que presume que, este ano, “vá continuar a haver algum aumento, mas tudo depende da evolução da economia”. “Se houver uma crise financeira a nível internacional, isso pode ter um impacto nos preços das casas. A subida preocupa-me pelo impacto que tem para as famílias”, afirmou. Quanto a uma possível projeção do que vai acontecer no futuro, relativamente e esta questão, Álvaro Santos Pereira considerou que “vai depender, principalmente, da oferta de casas”. “Nos últimos 10 anos, Portugal tem sido o país do mundo em relação dos preços para o rendimento que tem aumentado mais, pelo menos, de todos os países da OCDE. Tem havido um aumento sistemático dos preços das casas e isso tem um impacto bastante grande”, disse. O governador salientou que, nos últimos 10 anos, “a procura está a exceder a oferta e isso põe um pressão sobre os preços”. “Quando a procura está acima da oferta isso quer dizer que os preços vão continuar aumentar”, referiu, notando que é preciso construir, mão de obra para a construção civil, assim como “criar condições para que as pessoas possam comprar uma casa”. “A oferta é algo que temos de ter muito em mente. Se não houver um aumento, vamos continuar a ter preços elevados”, apontou. “Está na altura de fazermos reformas importantes” Álvaro Santos Pereira defendeu ainda que a reforma do Estado “tem de ser uma prioridade total”, dando como exemplo as reformas que houve em 2011 e 2012. “Está na altura de fazermos reformas importantes, nomeadamente no combate à corrupção. Gostaria que adotássemos as melhores práticas que vejo acontecer nos países nórdicos, Reino Unido, Nova Zelândia”, exemplificou. Questionado se será aplicável a um país como Portugal, o governador sublinhou que é necessário “estabelecer regras claras, sem que se contornem”. “Quando há regras claras e com penalidades, então claramente poderá haver mais ação”. “Sou a favor da flexossegurança” “Eu sou a favor de um modelo de flexossegurança, em que se protege o trabalho, embora se flexibilize os postos de trabalho”, vincou ainda, quando questionado acerca das alterações ao pacote laboral do Governo. Destacando “o banco de horas individual” e referindo que a introduziu em 2011 e “foi feita em consenso com os parceiros sociais”, Santos Pereira explicou que, por exemplo, uma pessoa pode trabalhar mais horas no Natal e que depois “é compensada mais à frente”, acrescentando que isso ajuda “na competitividade das empresas” e “ajuda na economia portuguesa”. Venezuela? “Economia que tem pouco impacto na economia mundial” Questionado sobre a Venezuela e sobre o facto de ser um dos países com maiores reservas de petróleo, o governador do Banco de Portugal afirmou que “a Venezuela é uma economia que tem pouco impacto a nível da economia mundial, embora tenha muitas reservas de petróleo”. “Claro que vai haver um impacto no preço do petróleo, mas devido à qualidade do petróleo venezuelano penso que o impacto será reduzido”, acrescentou. Leia Também: “Flexissegurança”. Santos Pereira defende banco de horas individual



Publicar comentário