Empresas de Leiria substituem telhados e aumentam produção

Os apoios monetários, das seguradoras e das linhas de crédito do Estado, é que demoram a chegar, reclamam os proprietários. Quando a agência Lusa foi às empresas, três semanas após a devastação, havia paredes e telhados caídos, postes de iluminação derrubados, fios elétricos cortados, árvores quebradas e detritos acumulados por toda parte. As três empresas tentavam se reerguer, ainda que pela metade, testando o maquinário e os equipamentos e fazendo contas dos muitos prejuízos causados pelo mau tempo. A Baquelite Liz, a mais antiga fábrica de plásticos de Leiria ainda em atividade, foi obrigada a fazer uma pausa na produção devido ao corte de energia elétrica que se estendeu por duas semanas. Na madrugada de 28 de janeiro, o vento e a chuva fizeram cair uma parede e uma parte do telhado da área fabril, deixando a descoberto os equipamentos de fabricação de caixas e contêineres, engradados, tubos, mangueiras e um sem número de artigos domésticos em plástico. Depois de um mês, o telhado já foi reposto, as máquinas foram limpas, reparadas e ligadas, os ‘stocks’ reorganizados e a produção retomada praticamente a 100%, disse à Lusa João Clemente, sócio e administrador da empresa localizada na Gândara dos Olivais. O prédio de serviços administrativos, mais afetado pelo temporal que a unidade fabril, segue coberto por plásticos e lonas. “Estamos aguardando orçamentos para avançar com a reconstrução”, avançou João Clemente, sem esconder o incômodo causado por tamanha devastação dentro do perímetro da empresa. Os danos causados pela chuva e umidade, nos equipamentos e nos prédios da Baquelite Liz, são de cerca de dois milhões de euros, valor difícil de acomodar no balanço de uma empresa, de estrutura familiar, que fatura anualmente cerca de 7,5 milhões de euros. Na fábrica da Rações Selecção, localizada na Boa Vista, arredores de Leiria, a eletricidade foi restaurada 22 dias depois da tempestade Kristin. Recolhidos os geradores, finalmente os equipamentos foram testados. Depois de tantos dias na chuva, algumas peças e motores tiveram que ser trocados. “Estamos a produzir muito lentamente, a 30% ou 40% da capacidade, e continuamos a mandar fazer produto fora”, disse à Lusa o administrador Rogério Campos. Na madrugada de 28 de janeiro, cerca de 70% do telhado da área fabril foi destruído, a matéria-prima ensopada e o produto acabado parcialmente inutilizado. Para não perder os clientes, a direção subcontratou empresas concorrentes para produzir e embalar rações para animais com a marca Selecção, garantindo o transporte até os pontos de venda. Um mês depois, a prioridade é recuperar a frente de fábrica e o armazém da matéria-prima, empreitada já licitada e iniciada com duração aproximada de 40 dias e custo que Rogério Campos estima em cerca de R$ 600 mil. Ainda com uma parte dos danos a serem calculados, o prejuízo resultante da tempestade já estará acima de um milhão de euros, valor que equivale a um décimo do faturamento anual da empresa. Enquanto as ajudas públicas e os pagamentos da seguradora não chegam, a Rações Selecção conta apenas com o apoio dos bancos dos quais é cliente. Na quinta-feira, 26 de fevereiro, quando a EDP anunciou que o fornecimento de energia havia sido 100% restabelecido na região Central do país, cerca de um terço das 30 fazendas do grupo agropecuário Aviliz continuavam sem energia elétrica. “Fiquei indignado e me senti ofendido quando ouvi a notícia na rádio. Não é verdade. Nas freguesias de Colmeias e Bidoeira de Cima, nossas explorações de suínos ainda não têm energia elétrica”, disse à Lusa o diretor técnico da Aviliz, Luís Rosário. Depois que a tempestade passou, algumas unidades da Aviliz ficaram isoladas por vários dias, com os animais expostos ao frio, chuva e vento. Aves, suínos e bovinos foram vendidos ou enviados para o abate precoce, por falta de condições de assegurar a alimentação e o aquecimento, mas muitos morreram antes que fosse possível instalar os geradores. Um mês depois, e apesar da falta de energia elétrica em cerca de uma dezena de fazendas, o diretor da Aviliz se mostrou aliviado com a evolução da situação nos últimos dias. “Juntamos os animais, realocamos os geradores, recuperamos algumas coberturas, o tempo também melhorou e a mortalidade nos animais reduziu muito”, pontuou. O grupo Aviliz foi fundado há 50 anos e atualmente emprega cerca de 150 pessoas nas diferentes empresas. Ao prejuízo nas estruturas físicas, somam-se as perdas no potencial produtivo, fazendo a fatura crescer até quatro a cinco milhões de euros. Também neste caso os apoios das linhas de crédito e dos seguros demoram a chegar. Leia Também: Tempo ruim? Psicólogos ressaltam importância de resposta continuada



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