“Não vou dizer que fui despedido do BdP, não fui. Era

"Não vou dizer que fui despedido do BdP, não fui. Era

O ex-governador do Banco de Portugal (BdP) e ex-ministro das Finanças, Mário Centeno, admitiu, nesta segunda-feira, que por enquanto e durante esse “ciclo” não tem ambições políticas, nem dentro, nem fora do Partido Socialista (PS). Em entrevista ao Primetime da CNN, naquele que foi seu primeiro dia como comentarista oficial do canal de televisão, Centeno disse não querer “iniciar mais um folhetim” na política, lembrando os cinco anos que serviu como ministro das Finanças no Governo de António Costa. “Foi uma experiência absolutamente única da qual me orgulho muito (…) mas esse tempo está fechado naquilo que é o intervalo entre 2015 e 2020. Aquilo que acontecer no futuro será qualquer coisa que estará para além deste ciclo político”, afirmou. Questionado sobre não ter concorrido à Presidência da República (apesar de ter sido bastante citado e até ter reunido alguns apoios, nomeadamente dentro do PS), Centeno confessou que não foi de ânimo leve. “Foi uma decisão muito bem pensada, em um ambiente familiar, depois de muitos anos de entrega ao serviço público e neste momento esse assunto está encerrado”, assegurou. Aposentadoria? “Não estou vendo onde possa causar dificuldade” O ex-governador do BdP também abordou sua pré-aposentadoria da instituição, que governou de 2020 a 2025, e que veio a gerar polêmica. Centeno, recorde-se, recebe uma pensão de 10 mil euros brutos por mês, o que equivale a 72% do salário que recebia no Banco de Portugal. A decisão de deixar o BdP, explicou, não partiu dele, mas do novo governador, Álvaro Santos Pereira. “Havia notoriamente uma dificuldade de o governador enquadrar as minhas atividades no Banco de Portugal e eu não sou pessoa de estar a perturbar o funcionamento de instituições”, esclareceu, elaborando: “Achámos os dois, por proposta do governador, que era o momento de encontrar uma solução”. E acrescentou: “Não vou dizer que fui demitido, porque não fui, mas era preciso cumprir um contrato de trabalho e enquadrar essa transição naquilo que são as regras do fundo de pensão do Banco de Portugal. Eu tinha os direitos todos praticamente concretizados no sentido de acesso à aposentadoria (…) e não estava na disponibilidade de ceder direitos que, ao longo de 35 anos, tinha acumulado”. Centeno também confessou não entender a “insatisfação popular” que se gerou após ser conhecido o valor de sua pensão, justificando que antes de si “se aposentaram com as mesmas regras milhares de trabalhadores do BdP e no setor bancário”. “Não estou vendo onde isso pode sequer causar dificuldade”, disparou. “Não há nenhum risco que não tenha sido identificado” na compra do novo prédio do BdP O ex-ministro das Finanças também voltou a comentar as dúvidas que pairam sobre a compra do novo prédio do Banco de Portugal, que aconteceu durante seu mandato. Segundo reportagem do Observador, de julho de 2025, o valor das futuras instalações poderia chegar até 235 milhões de euros – quantia significativamente maior do que os 192 milhões de euros acordados. Centeno rejeitou, desde o início, a ideia de que poderia haver qualquer ilegalidade no contrato, e, nesta segunda-feira, ressaltou que “não há nenhum risco que não tenha sido identificado que não tenha sido vertido no contrato de promessa de compra e venda e assumido” pela promotora, no caso, a Fidelidade. “Todos esses riscos estão um a um protegidos do ponto de vista do BdP, dos seus interesses, no contrato”, garantiu, afirmando que “quem teve acesso” ao documento “sabe o que é que está lá”. Questionado sobre o porquê de estar, então, sendo chamado de volta ao Parlamento para justificar essa operação, Centeno brincou: “Porque eles gostam das minhas explicações”. Deixou, no entanto, a garantia de que irá à Assembleia “todas as vezes que for pedido, com a mesma disponibilidade”. Leia Também: BdP destruiu mais de 249 mil notas por dia em 2025. Processo fica caro

Publicar comentário