Eurogrupo debate hoje medidas de alívio com alertas para

A ideia é que, nesta reunião virtual do Eurogrupo, os governantes avaliem os efeitos da crise no Oriente Médio sobre a economia da União Europeia (UE), nomeadamente no que toca ao aumento da volatilidade dos mercados energéticos, aos riscos de subida dos preços do petróleo e do gás e às potenciais perturbações das cadeias de abastecimento. Quando muitos países da zona euro e da UE, incluindo Portugal, avançam com medidas de apoios às suas economias e famílias, os ministros vão tentar coordenar respostas políticas e mitigar impactos econômicos negativos, quando já existem várias revisões em baixa do crescimento para 2026 e 2027. Falando na antevisão do encontro, fontes europeias lembraram que as respostas dadas à crise energética de 2022, aquando da invasão russa da Ucrânia, tiveram custos orçamentais significativos e, neste momento, não existe margem orçamental para o repetir. Há quatro anos “vimos todos os tipos de medidas em nível nacional que, na prática, não foram tão temporárias, ajustadas e direcionadas como deveriam ter sido e a esperança é que desta vez haja melhor coordenação”, precisou uma dessas fontes. O Eurogrupo defende, assim, que os países da moeda única avancem com apoio para aliviar dificuldades econômicas das famílias e ajudar as empresas, mas mantenham a sustentabilidade fiscal. De acordo com as fontes europeias ouvidas pela Lusa, ainda não se fala muito da ativação da cláusula de salvaguarda no âmbito das regras orçamentais da UE, mas essa é uma das medidas em cima da mesa, que foi usada durante a pandemia de covid-19 e permitiu a suspensão dos apertados tetos de 3% do PIB para o défice e de 60% do PIB para a dívida pública. As próximas previsões econômicas da Comissão Europeia serão divulgadas em 21 de maio. O Eurogrupo se reuniu em meados de março pela primeira vez em Bruxelas desde o início da guerra iniciada por Israel e por Estados Unidos contra o Irã e marcada pela resposta iraniana. Na ocasião, após uma análise dos impactos econômicos do conflito em termos energéticos e inflacionários, o presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis, alertou que a zona do euro deve “se preparar para longa instabilidade”, que pode afetar cadeias de suprimentos e pressionar os preços da energia e a inflação. Já o comissário europeu de Economia, Valdis Dombrovskis, considerou que um conflito mais amplo e duradouro no Oriente Médio poderia “ter implicações mais profundas e de longo prazo” na economia comunitária, mas destacou o “ponto de partida sólido”. Portugal foi representado na ocasião pelo ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, que admitiu que Portugal pode registrar déficit em 2026 “se as circunstâncias o impuserem”, dado o impacto das tempestades e, agora, do conflito no Oriente Médio. Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irã e, em resposta, Teerã fechou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Como consequência, o tráfego de petroleiros no estreito caiu drasticamente e aumentou a instabilidade relacionada à oferta, pressionando os preços. Teme-se na Europa que se volte à situação de crise energética de 2022, após a invasão russa da Ucrânia, já que o espaço comunitário depende fortemente das importações provenientes de mercados globais, muitos dos quais estão direta ou indiretamente ligados ao Médio Oriente. Leia Também: Lagarde alerta para otimismo em excesso: “Verdadeiro choque” preocupa BC



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