“Exploração Florestal Perdeu Quase Metade Dos Operadores em
A Direcção Nacional de Florestas anunciou esta segunda-feira, 4 de Agosto, uma redução acentuada do número de operadores florestais activos no País, que passou de 699 em 2015 para 369 em 2024, correspondendo a uma quebra de 47,2%, segundo o Relatório Técnico de Avaliação Periódica dos Operadores Florestais em Moçambique 2024, apresentado em Maputo. A avaliação revelou que, de 474 operadores avaliados em 2024, apenas 369 estão em funcionamento, enquanto 36 estão paralisados. A principal causa apontada para esta redução significativa é a falta de mercado e a provável escassez de recursos florestais nas áreas onde operam algumas das concessões. O impacto desta retracção é também visível na perda de empregos no sector. Entre 2021 e 2024, o número de trabalhadores nas Concessões Florestais (CF) caiu de 5193 para 2742, e nas Licenças Simples (LS), de 6664 para 2933. No total, 11 857 pessoas estavam empregadas nas explorações florestais em 2021, mas em 2024 o número caiu para 5675, o que significa que 6182 trabalhadores perderam o emprego. O vice-presidente da Federação Moçambicana de Operadores de Madeira (FEDEMOMA), António da Silva, considerou o sector “desmaiado”, devido à ausência de políticas públicas eficazes, alegando que muitos operadores continuam à espera da emissão de licenças por parte das direcções provinciais. Criticou igualmente a inexistência de preços de referência para a comercialização da madeira, situação que permite aos compradores impor os valores, tornando a actividade “insustentável.” António da Silva denunciou ainda a exclusão dos operadores florestais nacionais das obras públicas, afirmando que o Estado prefere adquirir carteiras feitas com madeira prensada importada da China, em detrimento da madeira local, apesar desta última ser de melhor qualidade. “Isto acontece porque quem compra recebe uma comissão”, acusou. Em relação à gestão comunitária dos recursos florestais, o dirigente afirmou que a relação entre os operadores e as comunidades locais não é saudável, uma vez que os 20% das taxas cobradas aos operadores não são canalizados para as comunidades, como determina a legislação em vigor.



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