Fim do lay-off: Bosch de Braga retoma hoje o regime normal

Lay-off? Ministro assinala "relativa tranquilidade" sobre

A Bosch de Braga retoma, esta segunda-feira, o regime normal de laboração, levantando o lay-off iniciado este mês e que estava previsto durar até abril de 2026 devido à escassez de componentes, anunciou a empresa na semana passada. “Com base num fornecimento mais contínuo de componentes e nas medidas de mitigação implementadas, os contratos de trabalho dos colaboradores afetados voltarão a estar plenamente ativos”, avançou a empresa numa nota enviada à agência Lusa. “Assim — acrescenta – a fábrica da Bosch em Braga consegue produzir sem necessidade de recorrer a um regime de ‘lay-off’ a partir de 24 de novembro de 2025 (segunda-feira)”. No entanto, e “dependendo da situação geral de escassez de componentes e da evolução da política comercial”, a Bosch diz não poder “excluir, em princípio, futuras interrupções de produção ou ajustes nos horários de trabalho”. Segundo refere, atualmente continuam a registar-se “perturbações na produção e ajustes temporários nos horários de trabalho” nas fábricas da Bosch em Ansbach e Salzgitter, ambas situadas na Alemanha. Em causa está a insuficiência de componentes eletrónicos provenientes da Nexperia, um dos fornecedores de componentes eletrónicos do grupo Bosch. Garantindo estar “a dar prioridade absoluta a todas as frentes” para “manter as suas cadeias de abastecimento e evitar ou minimizar restrições de produção”, a empresa diz “encarar o futuro com confiança”, apesar de a situação atual continuar “a colocar desafios significativos”. “A decisão hoje anunciada reflete o firme compromisso da empresa em proteger o emprego”, enfatiza, referindo que “os colaboradores do ‘site’ foram informados sobre o procedimento previsto”. Salientando acompanhar “muito de perto” a evolução atual da política comercial, a Bosch diz observar “os primeiros passos rumo a um diálogo político entre as partes envolvidas” e manter “a esperança numa solução duradoura”. A Bosch de Braga anunciou a 28 de outubro passado que ia entrar em ‘lay-off’ a partir de novembro e “até presumivelmente” abril de 2026, o que afetou 2.500 trabalhadores. O ‘lay-off’ consiste na redução temporária dos períodos normais de trabalho ou suspensão dos contratos de trabalho efetuada por iniciativa das empresas, durante um determinado tempo, devido a motivos de mercado, motivos estruturais ou tecnológicos ou catástrofes ou outras ocorrências que tenham afetado gravemente a atividade normal da empresa. O Governo neerlandês anunciou hoje ter suspendido a intervenção na Nexperia, que permitia bloquear decisões da empresa chinesa de semicondutores que ameaçassem a produção de ‘chips’ na Europa, para reduzir a tensão com a China após semanas de conflito político. Num breve comunicado, o ministro neerlandês dos Assuntos Económicos, Vincent Karremans, explicou que, dados os progressos entre a China e os Países Baixos, este é “o momento adequado para dar um passo construtivo, suspendendo” a ordem dada ao abrigo da Lei da Disponibilidade de Bens, uma norma de 1952 que foi invocada pela primeira vez em setembro passado. O Governo neerlandês interveio na empresa no final de setembro, considerando que o diretor chinês da Nexperia, Zhang Xuezheng, poderia comprometer o abastecimento europeu. A suspensão não anula a intervenção, uma vez que o Governo neerlandês mantém a opção de reativar a medida a qualquer momento se voltar a detetar riscos para a produção europeia. Entretanto, uma delegação dos Países Baixos continua na China a negociar uma saída estável para o conflito. A Nexperia fabrica ‘chips’ utilizados em telemóveis, automóveis e painéis solares, entre outros, e é um fornecedor fundamental para a indústria europeia. A sua aquisição pela Wingtech em 2019 já tinha suscitado inquietação, num contexto de crescente vigilância relativamente à dependência tecnológica em relação à China. Leia Também: UE admite que a conferência da COP30 termine “sem acordo”

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