Fitch faz as contas: Despesa com apoios deve levar a défice

Em ‘webinar’ sobre as perspectivas para Portugal, realizado hoje, Utku Bora, diretor associado de ‘ratings’ soberanos da Fitch, ressaltou que a agência de classificação financeira antecipa déficits pequenos neste ano e no próximo. Para este ano, a previsão da Fitch é de um déficit de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB), notadamente por conta do gasto com tempestades, que é considerado um ‘one-off’, ou seja, um gasto que só acontece uma vez por conta de um evento inesperado. O analista apontou que ainda há alguma incerteza quanto ao impacto total do mau tempo, bem como no que diz respeito aos preços do petróleo e os efeitos que isso pode ter. O Governo já anunciou medidas, como o desconto no ISP devido ao aumento dos preços dos combustíveis, mas o impacto dependerá de quanto tempo os preços permanecerem altos. “Há um equilíbrio delicado e tudo depende da evolução dos preços do petróleo e do impacto da tempestade”, assumiu o analista, destacando que pode ter de existir uma escolha entre lidar com a inflação e o saldo orçamental, dependendo da perspectiva do Governo. Além disso, o uso mais alto de empréstimos do Plano de Recuperação e Resiliência “também adiciona pressão” às contas públicas, sinalizou o executivo. Ainda assim, o analista apontou que Portugal alcançou superávits em 2023 e 2024, e em 2025 é esperado um saldo positivo maior do que o previsto, particularmente graças à receita fiscal. Utku Bora ressaltou ainda que, apesar das diversas eleições nos últimos anos, os governos “têm mantido prudência fiscal e priorizado a consolidação”. Em 6 de março, a agência de classificação financeira Fitch manteve o ‘rating’ da dívida de Portugal em ‘A’, melhorando o ‘outlook’ (perspectiva) para positiva. A Fitch indicou que a revisão da perspectiva reflete a opinião da agência “de que a dívida pública de Portugal em relação ao PIB continuará a cair de forma significativa” ao longo do horizonte de previsão (2026-2029), apoiada por “uma política fiscal prudente, com déficits que se mantêm bem abaixo da mediana do grupo de pares”. Leia Também: Conflito gera perdas de R$ 517 milhões por dia em viagens de turismo



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