Fitch Sugere Reestruturação da Dívida Moçambicana Antes de

Fitch Sugere Reestruturação da Dívida Moçambicana Antes de

a d v e r t i s e m e n tA Fitch Ratings considera que Moçambique poderá avançar para uma reestruturação da sua dívida pública antes de assegurar um novo programa de financiamento com o Fundo Monetário Internacional (FMI), num contexto de crescente pressão sobre as finanças do Estado e acesso limitado a recursos externos.

De acordo com uma análise divulgada pela agência de notícias Ecofin, a 20 de Abril, a Fitch sustenta que, embora seja possível alcançar um novo acordo com o FMI ainda este ano, tal dependerá, em grande medida, de medidas prévias destinadas a tornar sustentável o actual nível de endividamento, considerado elevado pelos credores internacionais.

Um dos sinais apontados pela Fitch prende-se com a recente contratação de assessores financeiros por parte do Governo, interpretada como um indício de preparação para um eventual processo de reestruturação. Segundo Gabriel Comolet, analista da instituição, este movimento “sugere que uma reestruturação da dívida poderá ocorrer antes de um acordo com o FMI”.

Embora o serviço da dívida associado ao único eurobond moçambicano se mantenha controlado no imediato, a Fitch adverte que as pressões de liquidez poderão agravar-se caso não haja apoio externo. O País permanece num cenário financeiro restritivo, marcado pela dificuldade de acesso a capital estrangeiro e por uma dependência acentuada do mercado interno.

O País continua a operar num ambiente financeiro restritivo

Em Janeiro, a agência reafirmou a notação de risco de Moçambique em “CCC”, reflectindo fragilidades ao nível do financiamento de curto prazo e défices orçamentais superiores aos de economias comparáveis. As projecções apontam para que a dívida pública atinja cerca de 91% do Produto Interno Bruto em 2025, condicionando as perspectivas de crescimento.

Num esforço para reforçar a sua posição negocial, o País procedeu recentemente ao reembolso integral da dívida junto do FMI, com um pagamento de 630 milhões de dólares efectuado no final de Março de 2026. Ainda assim, esta iniciativa, embora positiva do ponto de vista reputacional, não resolve os constrangimentos estruturais das contas públicas.

A médio e longo prazo, as expectativas continuam ancoradas nos projectos de gás natural liquefeito liderados pela TotalEnergies, cuja retoma em 2025, após anos de paralisação devido à instabilidade no norte do País, relançou o optimismo dos investidores. A produção está prevista para o período entre 2029-30, sendo considerada a principal alavanca de receitas futuras.

Este cenário já se reflete no desempenho dos mercados: o eurobond de Moçambique, com maturidade em 2031, tem registado uma valorização relevante, posicionando-se como um dos títulos com melhor performance no universo dos mercados emergentes.

Até à materialização das receitas do gás, Moçambique deverá manter o foco na credibilização da sua trajectória fiscal junto dos credores. Um momento crítico está previsto para 2028, quando se inicia o reembolso do capital do eurobond, podendo uma reestruturação ordenada revelar-se determinante para preservar a estabilidade macroeconómica e restaurar o acesso sustentável ao financiamento externo.a d v e r t i s e m e n t

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