“Instabilidade Política e Abrandamento da Procura Global de

“Instabilidade Política e Abrandamento da Procura Global de

A economia nacional registou uma contracção no primeiro trimestre deste ano, resultado da instabilidade política interna e do abrandamento da procura global de recursos naturais. A conclusão é avançada pela consultora BMI no seu relatório “Sub-Saharan Africa Key Themes For 2025: Mid-Year Review”, que analisa o desempenho económico da região a meio do ano, informou o portal de notícias Engineering News.

“A perspectiva para outros mercados baseados em recursos também diminuiu ligeiramente”, nota a BMI, sublinhando que “as tensões políticas em Moçambique e a apatia no mercado de diamantes no Botsuana contribuíram para contracções nestes mercados no primeiro trimestre do ano”.

Segundo o documento, embora Angola tenha surpreendido com um crescimento de 3,5% no primeiro trimestre, a previsão anual para os países exportadores de petróleo foi revista em baixa para 1,5%, abaixo dos 4,4% registados em 2024, devido à redução na produção de crude.a d v e r t i s e m e n t

O relatório aponta que Moçambique está entre os países que enfrentam desafios estruturais e instabilidade interna, dificultando a retoma económica sustentada. “No início do ano, dissemos que esperávamos que os mercados não intensivos em recursos na região superassem os seus pares, especialmente os produtores tradicionais de petróleo, em 2025”, afirmou Andreu Paddack, analista de risco da BMI para a África Subsaariana.

A BMI reduziu ligeiramente a sua previsão de crescimento para a África Subsaariana este ano, de 3,8% para 3,7%, embora o ritmo represente uma aceleração face aos 3,4% registados em 2024. As economias não baseadas em recursos naturais deverão crescer 5,1% em média, beneficiando de um consumo interno forte e de uma menor exposição à volatilidade dos mercados de matérias-primas.

“Os dados disponíveis para o primeiro trimestre de 2025 apoiam a nossa visão de que os mercados não intensivos em recursos estão a ter um bom desempenho este ano, com resultados fortes na Costa do Marfim, Ruanda e Uganda”, reforçou Paddack, durante uma conferência virtual no dia 22 de Julho.

O relatório aponta que Moçambique está entre os países que enfrentam desafios estruturais e instabilidade interna, dificultando a retoma económica sustentada

Ainda segundo a BMI, os preços mais baixos do petróleo deverão apoiar o consumo privado e o investimento fixo nos países importadores líquidos de petróleo, ao passo que os produtores de cobre e cobalto (essenciais para a transição energética) beneficiarão da crescente procura global.

Consolidação orçamental avança de forma desigual

Em termos fiscais, várias economias da região iniciaram medidas de contenção orçamental. “No Gana, o desmantelamento das despesas relacionadas com as eleições contribuiu para que o défice orçamental reduzisse para 1% do PIB no primeiro trimestre deste ano, face aos 2,2% registados no mesmo período do ano passado”, nota a consultora.

Outros países, como o Senegal e a Tanzânia, prometeram maior disciplina orçamental e reformas fiscais, mas a consolidação continua limitada por pressões políticas. “A consolidação orçamental permanece lenta e limitada por ventos contrários políticos”, sublinha a BMI.

Multipolaridade cresce na política externa africana

O relatório também confirma a previsão de que “as superpotências perderiam terreno e a África Subsaariana veria um maior envolvimento multipolar”, salientando que “o encerramento efectivo da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional acelerará o declínio da influência dos EUA na região”.

Neste novo contexto, outros actores internacionais aumentam a sua presença. “Os Emirados Árabes Unidos ofereceram empréstimos ao Quénia, construíram hospitais no Sudão do Sul e alegadamente continuaram a fornecer armas às Forças de Apoio Rápido no Sudão”, refere o documento.

A Índia, por seu turno, reforçou os laços com o continente. “O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, já visitou Maurícias, Gana e Namíbia em 2025, enquanto só visitou a região duas vezes entre 2022 e 2024”, nota a BMI. Também a Turquia intensificou a sua actuação, vendendo drones ao Quénia, investindo em portos no Uganda e mediando conflitos no Corno de África.a d v e r t i s e m e n t

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