Investidores norte-americanos levam ações da Benfica SAD

Há dois dias, no fechamento da sessão de ações na Euronext Lisboa, poucas horas antes de o acordo ser revelado ao mercado, os papéis da Benfica SAD tinham uma cotação unitária de 6,58 euros, tendo fechado hoje em 8,16 euros, um aumento de 24%, depois de terem alcançado durante o dia os 8,28 euros, um novo máximo histórico. O ‘frenesi’ em torno das ações ‘encarnadas’ também é refletido em termos do volume de transações, com mais de 22 mil papéis trocando de mãos apenas na quarta-feira, uma tendência já vista na véspera, e a capitalização de mercado está agora próxima de 188 milhões de euros (ME). Ainda assim, um valor abaixo da avaliação de mercado superior a 250 ME dada pela Entrepreneur Equity Partner à SAD benfiquista, seguindo a informação avançada pela Bloomberg, que noticiou que o negócio feito com José António dos Santos, presidente do Grupo Valouro, e conhecido como ‘Rei dos Frangos’, foi acordado a um preço entre 10 e 11 euros por ação. Em termos oficiais, os valores da operação de venda de 3.767.400 ações, correspondentes a 16,38% da Benfica SAD, não foi comunicada, com as partes revelando apenas que o entendimento foi alcançado em 23 de abril, e comunicado ao Benfica no dia seguinte. E a adiantarem que “a concretização da transmissão das ações está prevista para ocorrer até final do mês de julho de 2026”, conforme os documentos divulgados através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Caso a operação tivesse ocorrido à cotação das ações da Benfica SAD, de 6,58 euros por título (no fechamento da sessão de segunda-feira), a posição adquirida pelo fundo Entrepreneur Equity Partners, teria valor próximo de 25 ME (24.789.492 euros). Mas, seguindo o valor médio do intervalo avançado pela Bloomberg (10,5 euros por ação), então o montante sobe para 40 ME, representando um prêmio de cerca de 60% pago pelos norte-americanos. Certo é que, caso a operação se concretize, a Entrepreneur Equity Partners se torna a segunda maior acionista da Benfica SAD (13,68%), depois do Benfica, cuja posição ascende em termos globais a 63,70%. Porém, não é o único fundo norte-americano presente no capital da SAD da Luz, já que, de acordo com os dados oficiais do último Relatório e Contas publicados pelo clube da Luz, em fevereiro, a LSP Lisbon (Scotland), que pertence ao fundo Lenore Sports Partners (LSP), detém 5,24%, adquiridos há cerca de um ano ao ex-presidente dos ‘encarnados’ Luís Filipe Vieira. Essas são as três participações importantes no capital da SAD benfiquista, com os norte-americanos dominando quase um quinto (20%), e com os demais 14,68% nas mãos de pequenos investidores. Olhando para as SAD dos dois maiores rivais do clube liderado por Rui Costa, a agitação recente nas ‘águias’ não contagiou nem o Sporting, nem o FC Porto, que têm um núcleo acionário estável há alguns anos. Na SAD ‘leonina’, o Sporting detém uma posição global de 88%, com a Holdimo, detida pelo empresário angolano Álvaro Sobrinho, detendo quase 10% (9,91%), com uma fatia residual (na ordem de 2%) nas mãos de pequenos investidores. Os títulos da Sporting SAD fecharam a sessão de hoje com uma cotação unitária de 0,98 euros, avaliando-a em quase 198 ME. Por sua vez, a SAD dos ‘dragões’ tem o FC Porto como detentor de praticamente 75% (74,83%) do capital, e com o empresário António Oliveira, ex-jogador, treinador e técnico de Portugal, assumindo 7,34%, enquanto a Olivedesportos (dominada pelos herdeiros da herança indivisa de Joaquim Oliveira, irmão de António Oliveira), tem uma participação de 6,68%. Os 11% restantes do capital da SAD ‘azul e branca’, cujos papéis fecharam a valer hoje em bolsa 2,98 euros, colocando a capitalização de mercado em 67 ME, são detidos por pequenos acionistas. Leia Também: Prêmio de 70%: Benfica SAD sobe 11% após Rei dos Frangos vender posição



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