Lay-off em Leiria: Metade dos pedidos das empresas foi

“Houve 419 pedidos de lay-off”, dos quais, “220 já foram aprovados”. “Um aspecto importante desse lay-off é que, na sua esmagadora maioria, são períodos curtos. Basicamente, as empresas usaram isso para aquele período inicial em que as pessoas não estiveram a trabalhar. A maior parte deles são períodos de 15 dias e às vezes até menos”, precisou António Poças, numa conferência de imprensa, em Leiria. O empresário acrescentou que também foram requeridos dez mil pedidos de isenção à Previdência, sendo que “90% já foram apreciados de forma positiva”. “Isto é muito bom. O dinheiro chegou às empresas? Não. Mas irá chegar. Haver dez mil pedidos dá ideia da dimensão do problema”, sublinhou, adiantando que ainda se desconhece a forma como aquela entidade irá apoiar as empresas, sobretudo aquelas que já pagaram o mês de janeiro. O diretor executivo da Nerlei – Associação Empresarial da Região de Leiria/Câmara do Comércio, Henrique Carvalho, apresentou um estudo, que começou no dia 12 de março e ainda está acontecendo, elaborado com os associados da Nerlei, Cefamol – Associação Nacional da Indústria de Moldes, APIP – Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos, APICER – Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e Cristalaria, ANEME – Associação Nacional das Empresas Metalúrgicas e Eletromecânicas, Aricop – Associação Regional dos Industriais de Construção e Obras Públicas de Leiria e Ourém, Acilis – Associação de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo da Região de Leiria, Centimfe – Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos, Associação Empresarial do Concelho de Pombal. “Tivemos até agora 145 respostas. Já é uma amostra representativa. Em termos de distribuição local, Leiria, Marinha Grande e Pombal são os mais afetados. Esses três municípios concentram cerca de 80% do problema relacionado a tempestades”, disse Henrique Carvalho. Segundo o diretor executivo da Nerlei, um terço dessas empresas não fizeram participações às seguradoras. “Por que razão? Temos de aprofundar um pouco mais sobre se há seguro ou não, se não participaram ainda ou se os danos não o justificavam”. Também cerca de um terço das empresas que fizeram participação nas seguradoras ainda não foram periciadas. Henrique Carvalho considerou “mais preocupante”, que “as seguradoras não estejam praticando o que seria uma boa prática e um apoio importantíssimo para a recuperação rápida das empresas, que é ter uma política de adiantamentos”. “É uma boa prática, mesmo internacionalmente, de que entre 20% a 30% dos danos reportados e após peritagem deveriam ter uma solução de adiantamento por parte das seguradoras e isso não está a acontecer”, criticou, referindo que já informaram o Governo. Quanto ao uso do crédito, “parte significativa das empresas, 63%, não estão recorrendo às linhas”, um “pouquinho menos” do que as associações esperavam que acontecesse. “Há 15% de processos dessa amostra em que os bancos estão pedindo garantias reais, como hipotecas de instalações ou avais pessoais. Em uma situação de calamidade e dificuldade de fazer negócios, essas garantias reais estão sendo algo difícil de entender”, desabafou. No final de fevereiro, a Estrutura de Missão Reconstrução da Região Central do País estimou entre 35 mil e 40 mil empresas com danos devido ao mau tempo na área mais afetada. Sobre um possível aumento do desemprego, o coordenador respondeu que há “mais de 300 pedidos de lay-off” (suspensão dos contratos de trabalho) relativos a pouco mais de três mil trabalhadores, para lembrar ainda a existência do incentivo à manutenção de postos de trabalho e da isenção de contribuições à Previdência Social (10 mil pedidos). Leia Também: Santa Cruz da Graciosa fecha três rodovias por causa do mau tempo



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