Lufthansa diz que crise energética não altera avaliação da

Em encontro com jornalistas portugueses na sede da empresa, em Frankfurt, o chefe de estratégia do grupo, Tamur Goudarzi Pour, explicou que embora os efeitos imediatos do choque atual – incluindo custos mais altos de combustível e restrições de tráfego – façam parte dos modelos de avaliação, a Lufthansa não ajusta os valores de sua oferta com base em flutuações semanais ou de curto prazo. “Não podemos ficar mudando o preço a cada três semanas quando há uma crise”, disse. “Temos que olhar para o que é estrutural no setor e internalizar isso na nossa avaliação, sem alterar o preço a cada novo choque”, ressaltou. Tamur Goudarzi Pour esclareceu que o grupo usa cenários – projeções que consideram diferentes evoluções de custos, demanda e disponibilidade de combustível – para testar a resiliência de seus planos e da empresa alvo. Esses cenários fazem parte de um processo mais amplo de ‘due diligence’, o termo técnico usado para descrever a análise detalhada das contas, operações, riscos e oportunidades de uma empresa antes de uma aquisição. Nesse contexto, ele explicou que esse processo não se resume a olhar para o resultado de um trimestre, mas envolve uma avaliação ampla de fatores operacionais, financeiros e estratégicos que determinam se um investimento é sustentável ao longo de vários anos. O oficial reconheceu que a indústria da aviação enfrenta “uma crise estrutural” com várias incertezas que já começaram a moldar rotas, capacidade e demanda, mas reforçou que isso não colocará a Lufthansa em uma atitude reativa. “Temos sempre que internalizar o que é estrutural, não o que é transitório ou volátil”, afirmou. Tamur Goudarzi Pour também disse que a Lufthansa já ajustou sua própria programação de voos, retirando conexões para algumas cidades do Oriente Médio até o final de outubro devido ao impacto direto da atual situação geopolítica e energética, e realocando capacidade para destinos com demanda mais estável. Questionado se isso poderia afetar a formulação financeira da proposta para a TAP, o gestor ressaltou que a oferta que será apresentada nesta semana já reflete as avaliações mais recentes e que as negociações e ‘due diligence’ posteriores podem aprofundar esse entendimento. “O preço de uma oferta não vinculante é sempre um ponto de partida. Depois, há conversas e o processo evolui, e é isso que está previsto nesse processo de privatização”, acrescentou. Ao falar sobre a necessidade de olhar além do curto prazo, ele também ressaltou que fatores como conectividade global, complementaridade de redes e posição estratégica de ‘hubs’ — plataforma de distribuição de passageiros – como Lisboa e Porto são elementos que reforçam a avaliação de longo prazo. Segundo ele, apesar das incertezas, os mecanismos de gerenciamento de risco usados pela Lufthansa – incluindo políticas de cobertura de combustível – fornecem uma base mais robusta para avaliar companhias aéreas em tempos de volatilidade. Em resposta a perguntas sobre litígios e riscos legais, detalhou que todos esses fatores são analisados também na ‘due diligence’, fase que antecede qualquer proposta formal. Entre os casos abordados está a ação da companhia aérea brasileira Azul que reivindica o pagamento de 189 milhões de euros, referentes a um empréstimo convertido que não foi reembolsado pela TAP. Além disso, há diversos processos trabalhistas de tripulantes que estão aguardando decisões judiciais. O edital prevê a venda de até 44,9% do capital da TAP, com 5% reservado aos trabalhadores, ficando qualquer participação não subscrita sujeita ao direito de preferência do futuro comprador. Além da Lufthansa, também já demonstraram interesse na privatização a Air France-KLM e a IAG, dona da Iberia. As propostas não vinculantes para a privatização da TAP devem ser submetidas à Parpública até 2 de abril e devem incluir um componente financeiro, como o preço oferecido pelas ações e mecanismos de valorização futura (‘earn outs’). Os interessados também terão que apresentar planos industriais e estratégicos, sinergias e garantias de preservação do status da TAP como operadora aérea da União Europeia. *** A jornalista viajou a convite da Lufthansa *** Leia Também: Companhias do grupo Lufthansa cancelam voos para Dubai até 28 de março



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