Mercados já antecipam subida das Euribor e das taxas de juro

Segundo o analista da XTB Vítor Madeira, na reunião do BCE de 18 e 19 de março ainda não se espera alteração da política monetária (devendo as taxas de juro diretoras ficar inalteradas), mas é esperada uma subida das taxas até final do ano. “Nesta altura os mercados já esperam uma subida pela parte do BCE até final do ano. Esperava-se um corte e agora espera-se uma subida, é completamente o inverso”, disse à Lusa. Isso, explicou, é resultado das consequências para a inflação da guerra no Oriente Médio, pois antes do início do conflito entre Estados Unidos e Israel com o Irã até se vislumbrava pelo menos mais uma queda nas taxas diretoras até o fim do ano. Para o presidente da ActivTrades Europe, Ricardo Evangelista, tanto a alta dos preços da energia quanto o enfraquecimento do euro têm efeito inflacionário. No entanto, não considera provável que o “o BCE reaja imediatamente”, mas nos próximos meses e dependendo do desenrolar do conflito. “Se no curto a médio prazo não surgirem perspectivas de resolução para o conflito que permitam antecipar um retorno a alguma normalidade na região do Golfo Pérsico, não surpreenderá que o banco central aumente as taxas de juros, com os mercados antecipando dois aumentos de 25 pontos base antes do final do ano”, disse à Lusa Ricardo Evangelista. Sobre as Euribor, explicou que com as taxas de juros do BCE com perspectiva de alta é esperado que as taxas Euribor também aumentem. O economista da Deco Nuno Rico notou que já se vem verificando “uma pequena subida das taxas Euribor” desde o início do conflito mas ainda limitada porque há a “perceção de que pode ser conflito de curta duração”. Contudo, as taxas poderão subir mais se o conflito se prolongar além de um mês. “Tudo depende do prolongar e do agravar do conflito nas próximas semanas”, disse à Lusa, afirmando que as famílias devem se preparar para o impacto do aumento das taxas na prestação a pagar ao banco pelo crédito à habitação. Ainda assim, haverá diferenças no impacto dependendo da data de renovação do contrato. No caso das famílias cujo contrato seja revisto em abril, é provável que já sintam impacto do leve aumento da Euribor. Se, por exemplo, o contrato for a Euribor a 12 meses e tiver sido revisto em fevereiro só sentirão mudanças em fevereiro de 2027. As Euribor têm vindo a subir e hoje a Euribor a 12 meses (nos 2,367%) atingiu mesmo a cotação diária mais elevada desde março de 2025. A guerra na região do Médio Oriente tem feito subir os preços da energia, levando o mercado a temer um aumento da inflação, o que faria o BCE a intervir para tentar controlar a alta dos preços. Na última reunião, em 5 de fevereiro, o BCE decidiu manter os juros em 2%, acreditando que a inflação deveria se estabilizar em 2% no médio prazo. No entanto, alguns membros do BCE já reconheciam, segundo a ata da reunião publicada na semana passada, que “as tensões geopolíticas no Oriente Médio poderiam levar a um aumento maior dos preços da energia”. Na segunda-feira, o BC garantiu estar vigilante diante dos riscos inflacionários: “Não podemos baixar a guarda, pois o atual contexto geopolítico e macroeconômico cria riscos e aumenta a inflação”, disse Isabel Schnabel, membro da comissão executiva do BC, no Fórum de Política Monetária dos Estados Unidos, em Nova York. Schnabel disse acreditar que a política monetária está “em uma boa posição”, mas observou a necessidade de monitorar o choque dos preços da energia, impulsionado pela guerra no Irã. Conforme defendeu, é igualmente necessário acompanhar, de perto, o impacto na inflação e possíveis sinais de que as empresas estão começando a repassar a alta de seus custos aos clientes. Além do aumento dos preços da energia (petróleo e gás), o conflito levou a um aumento das taxas de juros da dívida soberana. Leia Também: BC garante estar vigilante diante de riscos inflacionários



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