Ministro aponta zero euros para agricultura no Programa

Intervindo na sessão de encerramento do 18º seminário da cooperativa agrícola do concelho de Montemor-o-Velho, no distrito de Coimbra, José Manuel Fernandes elaborou um exercício sobre o que pensam autarcas e entidades decisórias regionais sobre a agricultura enquanto setor estratégico e estruturante, constatando que todos a classificam como tal. “E se eu perguntar desses 2.100 milhões de euros para 2021 a 2027, quanto é que dedicaram à agricultura, sabem quanto é que dedicaram? Zero, zero”, exclamou José Manuel Fernandes, suscitando ruído nas cerca de 200 pessoas presentes. “E, portanto, no próximo quadro financeiro plurianual (2028-2034) e na possibilidade de termos um fundo único, é importante que tenhamos projetos que sejam, inclusive, supramunicipais”, defendeu o oficial. José Manuel Fernandes garantiu que estará “muito atento” ao desenvolvimento do próximo programa operacional regional de apoio, caso ainda seja ministro, ou, como se classificou, esteja ministro. “Eu não sou ministro, eu estou a ministro. E, enquanto estiver aqui, estou executando uma missão. E, se eu aqui estiver, claro que vou olhar para as comunidades intermunicipais, e vou perguntar a eles, afinal, quanto dedicaram para essa atividade que é estratégica, que é estruturante, que é coesão, que é competitividade, que é pesquisa, vou perguntar a eles”, asseverou. Em um discurso de 25 minutos em que tocou vários temas da política agrícola e da atividade governamental no apoio ao setor, José Manuel Fernandes frisou que Portugal tem que simplificar as medidas de ajuda, criticando a burocracia nacional. “Nós temos demasiados burocratas e empatas (…) Não se pode demorar as eternidades que nós demoramos para aprovar candidaturas e passar por não sei quantas entidades para se aprovar algo que até é simples”, frisou o ministro. Já sobre a renovação geracional necessária na agricultura portuguesa – cuja média de idade atual cifrou em 64 anos — José Manuel Fernandes lembrou que os agricultores “recebem cerca de 40% abaixo da média das outras profissões. Enquanto isto estiver assim, dificilmente temos a renovação geracional que aqui foi falada”, observou. Ele anunciou que o governo destinou 243 milhões de euros para a renovação geracional, classificando-a como “um choque que é preciso” e afirmando esperar que esse valor “seja muito bem investido”. Para a renovação da agricultura, o ministro argumentou que Portugal tem que mostrar os bons exemplos que tem: “A agricultura tem que ser cada vez mais moderna, como é que se vai atrair um jovem se cada vez que se fala da agricultura ou é porque há uma manifestação, ou há uma seca ou uma inundação”, questionou. Garantindo que o país tenha que demonstrar a importância do setor agrícola em todos os níveis, ele recusou, entre outros exemplos, a forma como o agricultor é retratado nos livros escolares. “Não posso aceitar que apresentem o agricultor de sachola na mão ou então como o vilão que é o grande culpado do meio ambiente e das mudanças climáticas, quando o que eles querem é a sustentabilidade de sua terra e de passar sua fazenda para as gerações futuras”, frisou José Manoel Fernandes. Leia Também: Ministro da Agricultura acusa banco de privilegiar quem tem menos risco



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