“Moçambique Enfrenta Restrições Financeiras e Défice de 4,5%
advertisemen tO Fundo Monetário Internacional (FMI) advertiu nesta terça-feira, 17 de fevereiro, que Moçambique enfrenta “condições de financiamento cada vez mais difíceis”, cenário que teria forçado cortes nas despesas com bens, serviços e projetos de capital em 2025, ano em que a economia deve ter crescido apenas 0,5%. Segundo a agência Lusa, nas conclusões da consulta ao abrigo do Artigo IV, aprovadas pelo conselho executivo da instituição, o FMI diz que o “Governo enfrenta condições de financiamento cada vez mais difíceis”, apontando atrasos no serviço da dívida e a estagnação da detenção de títulos públicos por bancos nacionais, principal fonte de financiamento dos persistentes déficits orçamentários. Segundo o relatório, o financiamento externo líquido tem sido negativo, levando a uma redução estimada do déficit fiscal para 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, ante 6,2% registrados em 2024. Essa diminuição decorre principalmente da contenção dos gastos públicos. Ainda assim, o País “continua enfrentando um ambiente macroeconômico complexo, marcado por crescimento moderado, vulnerabilidades fiscais e da dívida, e diminuição da ajuda externa.” Após um crescimento de 5,4% em 2023 e 2,1% em 2024, o FMI estima que o PIB avançou apenas 0,5% em 2025. A instituição observa que “a atividade econômica vem se recuperando gradualmente após a forte contração no final de 2024”, associada à agitação pós-eleitoral que se seguiu às eleições de outubro daquele ano. Apesar de reconhecer “alguns desdobramentos positivos”, como a baixa inflação, reservas cambiais consideradas adequadas, a retomada do megaprojeto de gás natural da TotalEnergies e a retirada de Moçambique da lista cinza do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI), o FMI considera que “os desafios continuam significativos.” A instituição alerta que os grandes déficits fiscais e a necessidade de maior flexibilidade cambial podem “exacerbar as vulnerabilidades macroeconômicas e da dívida”. Também prevê que os déficits totais aumentarão devido ao crescimento dos encargos com juros, enquanto o crescimento fora do setor de mineração deve permanecer modesto, em torno de 2%, refletindo o fraco dinamismo do crédito. Os diretores do FMI sublinham “a urgência de um pacote abrangente de reformas” para restaurar a estabilidade macroeconômica e assegurar um crescimento sustentável, defendendo uma consolidação fiscal credível, uma contenção da massa salarial, um alargamento da base tributária, uma melhor gestão das finanças públicas e da dívida, e uma maior transparência, ao mesmo tempo que se protegem os grupos mais vulneráveis.advertisement



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