OMR Alerta Que Moçambique Continua Com Níveis Críticos de

Quase 150 Mil Pessoas Estão em Situação de Emergência e

O Observatório do Meio Rural (OMR), organização não-governamental (ONG) moçambicana, alertou que o País continua a registar níveis críticos de desnutrição crónica e insegurança alimentar, apontando para consequências a longo prazo. “Actualmente, Moçambique enfrenta uma situação paradoxal: apesar de ter disponibilidade alimentar global melhor do que em qualquer outro momento da sua história, continua a registar níveis críticos de desnutrição crónica e insegurança alimentar”, avança um relatório divulgado por aquela entidade. De acordo com a OMR, cerca de um terço da população está subnutrida e 37% das crianças sofrem de desnutrição crónica. “A desnutrição aguda está em torno de 3 a 5% nas crianças, sugerindo que, em tempos normais, poucas passam fome severa, mas estas percentagens aumentam durante os períodos de emergência”. Segundo a organização, a desnutrição crónica “acarreta consequências de longo prazo para o País; estima-se que até 10% do Produto Interno Bruto seja perdido anualmente devido à redução de produtividade, desempenho escolar e gastos em saúde associados à subnutrição infantil”. “No campo do saneamento, apesar de alguns avanços, persistem lacunas que afectam a nutrição: somente 11% das zonas rurais tinham saneamento adequado em 2020, e a cobertura de água potável abrangia cerca de 50% no meio rural. Doenças endémicas como a malária e surtos periódicos de cólera e outras infecções intestinais atingem principalmente comunidades com água não tratada em Moçambique”, refere-se no documento. Diante deste fenómeno, a entidade descreveu que se verifica aumento de crianças com desenvolvimento físico e cognitivo limitado e adultos menos produtivos e mais propensos a doenças, comunidades forçadas a estratégias de sobrevivência, que perpetuam a pobreza. “Assim, Moçambique encontra-se num patamar em que deve evitar mortes por fome, assegurar dietas diversificadas e adequadas e condições de vida dignas para que todas as crianças cresçam sem o problema da desnutrição, isto é, garantir o direito humano à alimentação adequada na sua plenitude, não apenas o mínimo de sobrevivência”, concluiu. Em Junho, o Governo lançou uma nova estratégia de segurança alimentar que visa reduzir a desnutrição crónica infantil no País, que tem sido agravada pelas alterações climáticas. Denominada “Política e Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional (PESAN)”, a iniciativa tem como foco investir na agricultura saudável e nutritiva que possa resolver os problemas alimentares. Na altura, Roberto Albino, ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, disse que o País tem avançado na redução da insegurança alimentar, mas que a desnutrição crónica, especialmente em crianças menores de 5 anos, permanece elevada, afectando 37% deste grupo populacional. “Para enfrentar o problema, foi elaborado o PESAN 2024-2030 visando integrar esforços multissectoriais para garantir a segurança alimentar e nutricional em todo o País. O documento visa fornecer assistência técnica de qualidade e criar mecanismos para incentivar que os que têm formação técnica e profissional tenham espaço para disseminar o conhecimento aos produtores à sua volta”, referiu o governante.advertisement

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