Países asiáticos respondem à anulação das tarifas de Trump

Tóquio descarta que a invalidação das taxas afete investimentos previamente acertados, segundo o jornal econômico Nikkei, enquanto Taiwan e Hong Kong preveem um efeito “limitado” da nova tarifa global. A China ainda não se pronunciou. As reações ocorrem depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos determinou na sexta-feira, por seis votos a três, que o governo de Donald Trump excedeu os poderes invocados para impor grande parte de seus impostos a seus parceiros comerciais. Em resposta à resolução, que invalida as chamadas “tarifas recíprocas” e outros impostos generalizados aplicados por Trump, com uma taxa mínima de 10%, o Presidente assinou uma tarifa global de 10% sobre todos os países. A lei que sustenta essa nova ordem executiva só permite aumentar as tarifas em até 15% e por períodos de 150 dias, então não está claro como ela será articulada a longo prazo, escreve a agência de notícias EFE. O Japão indicou que a decisão da Suprema Corte não afetará os primeiros investimentos previstos no acordo comercial alcançado em julho entre Tóquio e Washington, que inclui compromissos avaliados em cerca de 550 bilhões de dólares (cerca de 466,5 bilhões de euros) e a redução de 25% para 15% das tarifas sobre produtos japoneses, incluindo automóveis. A informação foi divulgada pelo jornal econômico Nikkei, citando uma fonte governamental, cuja identidade não foi revelada, acrescentando que os primeiros projetos anunciados nesta semana, avaliados em 36 bilhões de dólares (cerca de 30,5 bilhões de euros), serão mantidos por serem “necessários para o crescimento e a segurança econômica do Japão”. A Coreia do Sul afirmou que o acordo comercial com Washington, que prevê compromissos como um investimento sul-coreano de 350 bilhões de dólares (cerca de 300 bilhões de euros) e tarifas de 15% por parte de Washington, continua intacto. Segundo a agência de notícias Yonhap, autoridades sul-coreanas convocaram uma reunião de emergência para avaliar o impacto da invalidação das tarifas. Os governos de Taiwan e Hong Kong consideram que a tarifa global de 10% anunciada por Trump terá “impacto limitado” em suas economias. A porta-voz do Executivo taiwanês, Michelle Lee, afirmou que Taipei, que neste mês assinou um acordo comercial com Washington que reduz de 20% para 15% as tarifas para a ilha, acompanhará “de perto” a evolução da política tarifária dos Estados Unidos. O secretário de Serviços Financeiros e do Tesouro de Hong Kong, Christopher Hui, disse que a estrutura econômica do centro financeiro, fortemente centrada no setor de serviços, reduz significativamente sua exposição direta às tensões comerciais internacionais. A Indonésia, que na quinta-feira assinou um acordo comercial com os EUA, indicou que manterá “novas conversas” com Washington diante das “dinâmicas que estão ocorrendo”. O porta-voz do Ministério de Assuntos Econômicos da principal economia do Sudeste Asiático, Haryo Limanseto, disse que a continuidade do pacto, que mantém em 19% as tarifas de Washington para Jacarta, exceto para certos produtos têxteis e agrícolas isentos de impostos, entre eles o óleo de palma, “continua dependendo da decisão de ambas as partes”. O acordo também inclui compras de produtos norte-americanos no valor de 33 bilhões de dólares pela Indonésia e cooperação em minerais críticos e terras raras, em um contexto marcado por esforços globais para reduzir a dependência da China nesta questão. A Malásia assegurou que “continuará a diversificar suas relações comerciais e fortalecer a cooperação econômica regional e multilateral”, apesar da decisão que invalida grande parte das tarifas de Trump. Leia Também: Tarifas de Trump? Macron satisfeito por contrapoderes terem atuado



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