Petróleo mais caro beneficia Angola mas inflação pode

“São notícias interessantes, mas temos que fazer um compasso de espera e ver como pode impactar, porque (a alta dos preços do petróleo) pode ser efêmera, ou de médio e longo prazo, e vamos ter que nos ajustar de acordo”, disse José de Lima Massano comentando os efeitos da alta do preço do barril, desencadeada pela guerra contra o Irã e estendida ao Oriente Médio. Na primeira edição da conferência “Radar África – Os Caminhos de Angola”, que o Jornal de Negócios realizou hoje em Lisboa, o ministro angolano disse que no imediato são sempre “notícias positivas para os países produtores de petróleo”. Contido, “no caso específico de Angola, que tem uma fatura ainda alta de importações de bens essenciais, vai também sofrer os efeitos do aumento dos preços do petróleo”, disse, nomeadamente na inflação, que continua acima de dois dígitos. O orçamento de Angola para este ano prevê um preço médio de 61 dólares por barril, mas desde o ataque dos Estados Unidos da América e Israel ao Irã o valor tem subido, tendo ultrapassado hoje a barreira dos 87 dólares por barril. “Na época, fizemos o Orçamento Geral do Estado prevendo US$ 61 por barril e já foi um tanto ousado diante do contexto externo, mas agora estamos no primeiro trimestre e o barril já está acima de US$ 80”, apontou o governante. A economia de Angola, continuou, ainda é muito dependente do setor petrolífero para a geração de moeda externa, sendo responsável por 90%, mas José de Lima Massano ressaltou que na economia, o peso é cada vez menor, ressaltando os efeitos dos esforços de diversificação econômica dos últimos anos. “Os dados mais recentes relativos a 2025 mostram que o setor não petrolífero tem um peso dominante, perto de 80%, e o petrolífero está em 19,5%”, lembrou, e a agricultura, “um setor que era muito pouco expressivo agora cresce a uma velocidade bastante interessante, com um peso no PIB que se equipara ao setor petrolífero”.



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