Pilotos preocupados com eventual entrada da Lufthansa na TAP

Pilotos preocupados com eventual entrada da Lufthansa na TAP

Questionado pela Lusa durante a ConfCAQ 2026 — Conference on Cabin Air Quality, Hélder Santinhos disse ver os resultados trimestrais da TAP divulgados hoje “com bons olhos”. As perdas da TAP Air Portugal recuaram para 39,9 milhões de euros no 1º trimestre do ano, recuperação que a companhia aérea atribui ao papel de mercados como América do Sul e América do Norte. Em comunicado, a companhia aérea portuguesa destacou o crescimento de 11% das receitas operacionais, para 914,4 milhões de euros, em relação ao mesmo período do ano passado, impulsionadas principalmente pelo aumento das receitas de passagens e pela melhoria das receitas unitárias, em um contexto de crescimento da capacidade (+3,9%). “O que queremos é que as empresas tenham o maior sucesso possível”, disse o dirigente sindical, acrescentando que o SPAC sempre defendeu que a TAP é uma empresa lucrativa. Hélder Santinhos disse que os problemas que a companhia aérea portuguesa tem tido no passado derivaram de decisões políticas e da covid-19, que “felizmente teve algumas coisas boas”, referindo-se à venda do negócio de manutenção da TAP no Brasil. “Com essa âncora fora não me surpreende nada que os resultados da TAP sejam bons”, disse. Sobre o impacto desses resultados no processo de privatização, o presidente do SPA disse que as empresas interessadas pensam em nível estratégico, por isso “não terão grande influência”. “Eles (Lufthansa e Air France-KLM) veem a importância de Portugal, a estrutura de custos da empresa, a nossa maneira de trabalhar. Temos profissionais muito bons, tanto pilotos como manutenção”, referiu. Para Helder Santinhos “ambas as empresas estão muito comprometidas com a privatização e vão apresentar propostas independentemente dos resultados”. Entrada da Lufthansa na TAP Em relação ao interesse de ambas as empresas, o presidente do sindicato preferiu não se pronunciar sobre uma preferida, dizendo estar “muito preocupado” com a forma como a Lufthansa encara as relações de trabalho. Em carta enviada ao ministro das Infraestruturas e Habitação, em abril, o SPAC afirmou que é favorável à reprivatização da TAP, mas apenas se os potenciais compradores mostrarem “idoneidade sólida” nos planos técnico, financeiro e trabalhista. No caso da Lufthansa, o sindicato disse estar preocupado com o relacionamento da companhia com o VC Cockpit, principal sindicato dos pilotos alemães, e refere “atitudes de desconsideração por acordos em vigor” e “táticas anti-sindicais pouco éticas que, a serem importadas para a TAP, comprometeriam gravemente a paz social-laboral e a eficiência do Hub de Lisboa”. “Isso nos leva a pensar que existe uma estratégia para neutralizar o poder dos sindicatos, já levamos essa preocupação ao Governo, porque a última coisa que a TAP precisa será da agitação trabalhista em um período de pós-privatização”, disse. Helder Santinhos disse não ter recebido nenhuma reposta do executivo de Luís Montenegro. Na corrida pela reprivatização da TAP, estão Air France-KLM e Lufthansa, depois que a IAG, dona da Iberia e da British Airways, não avançou com uma proposta. Nesta terceira etapa da licitação, os interessados ​​devem entregar as propostas vinculantes até julho. O governo quer vender até 49,9% do capital da companhia, dos quais 44,9% para um investidor de referência e até 5% reservados a trabalhadores, em um processo em que serão levados em conta preço, plano industrial, conectividade e capacidade financeira do comprador. Leia Também: Prejuízos da TAP caíram para 39,9 milhões de euros no 1º trimestre

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