Portugal depende do petróleo do Oriente Médio? Que reservas

Portugal importa petróleo de vários países e não depende diretamente dos produtores do Oriente Médio para o abastecimento. Aliás, segundo dados de 2024 da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), uma parte significativa do petróleo bruto que chega às refinarias portuguesas tem origem em países do continente americano e da África. No petróleo, o Brasil assegurou cerca de 44% das importações portuguesas, seguido por Argélia (18%), Estados Unidos (11%) e Azerbaijão (9%). Já no caso do gás natural, Portugal tem sido abastecido principalmente pela Nigéria (51%) e pelos Estados Unidos (40%), e o país deixou de comprar gás do Qatar há mais de três anos. Ainda assim, o petróleo é negociado em um mercado global. Por isso, qualquer perturbação em uma rota estratégica como o Estreito de Ormuz – por onde passa parte significativa do petróleo transportado no mundo – pode causar altas no preço internacional do petróleo bruto e acabar se refletindo no custo dos combustíveis em Portugal. Levando em conta as cotações até quarta-feira, as previsões apontam para um aumento de oito centavos no caso do diesel e de 8,5 centavos no caso da gasolina. Isso em um momento em que o petróleo Brent está novamente perto de 100 dólares. Notícias ao Minuto com Lusa | 13:49 – 12/03/2026 Que reservas de petróleo Portugal tem? Onde estão? Portugal tinha 1,56 milhão de toneladas de reservas físicas de petróleo e produtos petrolíferos no último trimestre do ano passado, segundo dados da ENSE – Entidade Nacional para o Setor de Energia. Segundo o mapa de reservas da ENSE, dessas reservas, 538 mil toneladas são de petróleo bruto, 51,4 mil toneladas de gasolina, 297,8 mil toneladas de diesel e 51 mil toneladas de GLP e Fuel. Estão armazenadas em vários locais, incluindo na Petrogal em Sines e Matosinhos e na Companhia Logística de Combustíveis (CLC) em Aveiras. Já 623,9 mil toneladas correspondem a ‘tickets’, ou seja, estão armazenadas em outros países. Segundo informações no site da ENSE, a entidade “mais especificamente a unidade de reservas de petróleo, na sua qualidade de Entidade Central de Armazenagem (ECA), é responsável por garantir trinta dias de reservas de segurança nacionais”. Além disso, “as operadoras têm a obrigação de constituir os 90 dias, sendo 30 dias constituídos obrigatoriamente pelo ECA e sendo responsáveis pela constituição dos 60 dias restantes em local a ser informado obrigatoriamente à ANEEL”. Em 3 de março, a ENSE disse à Lusa que Portugal tem reservas para 93 dias de consumo, em um cenário de disrupção, ressalvando que as importações nacionais não têm exposição a Ormuz nas quantidades de mercadorias adquiridas e transportadas. Como apontou na época, a situação de Ormuz terá um impacto mais estrutural dos preços apenas se a situação se prolongar por muitas semanas. Neste momento, não há razão para alarme, sendo necessário apenas, a curto prazo, uma monitorização atenta, disse a ENSE. Vale lembrar que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou esta semana que Portugal vai disponibilizar “em princípio” 10% das reservas estratégicas de petróleo para poder haver mais oferta e maior contenção nos preços dos combustíveis. Quanto Portugal tem nas reservas? Onde estão? Quanto e quando elas serão mobilizadas em resposta ao conflito no Oriente Médio? Esclarecemos aqui as principais dúvidas. Beatriz Vasconcelos com Lusa | 13:28 – 12/03/2026 Leia Também: Petróleo acelera e combustíveis devem encarecer novamente. Veja quanto



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