“Portugal deveria adotar estratégia alinhada com países

Esta é uma das recomendações inseridas nas considerações sobre políticas públicas e empresariais para a normalização da IA. O estudo evidencia uma “baixíssima preocupação com a substituição de empregos: 64,7% pouco ou nada preocupados; apenas 6,1% muito preocupados”, sendo que “isto pode revelar confiança, mas pode também ser apenas uma manifestação de ignorância”. Nesse sentido, a Magma considera que “Portugal poderia e deveria adotar uma estratégia clara e alinhada com os países mais avançados em IA”, recomendando um Plano Nacional de Requalificação em IA, com créditos pessoais de formação, certificações modulares e financiamento parcial, e literacia ética e de segurança no Ensino Superior. Entre outras recomendações constam a norma nacional de IA responsável para empresas, com requisitos mínimos de governança, auditoria e transparência, incentivos fiscais e financeiros para empresas que usem esta tecnologia para complementar trabalhadores, e não substituí-los, a criação do Índice Português de Maturidade em IA, monitorizado anualmente, e um programa IA para PME, “apoiado pelo Estado, com consultoria subsidiada, ‘kits’ de casos de uso e pilotos rápidos”, lê-se no documento. Do estudo, conclui-se que é preciso formar “rapidamente”, mas com profundidade, em vez de ser apenas uma introdução. Quase dois terços (64,6%) dos inquiridos no estudo não fez formação em IA generativa e, dos que fizeram, a maioria teve menos de três horas e apenas introdutória, refere o documento. Por isso, a Magma recomenda a criação de “programas nacionais de ‘upskilling’ de 20 – 30 horas com foco em casos de uso reais por função”, das finanças ao jurídico, passando pelos recursos humanos, entre outros, e “incentivar as empresas a oferecer percursos de formação internos para os seus colaboradores, com certificações modulares e progressão por níveis”. Recomenda também o incentivo à formação contínua em IA obrigatórias todos os anos e o lançamento de “um sistema de níveis de fluência em IA, inspirado no modelo europeu de línguas (A1–C2), adaptado à realidade empresarial e educativa da IA generativa”. Segundo o estudo, “94,8% já usa IA, mas apenas 30,3% sente que a empresa está a adotar de forma estruturada”, pelo que a Magma indica a implementação de uma governança básica de IA “em todas as empresas com mais de 50 colaboradores (diretrizes, riscos, regras para dados sensíveis, ferramentas aprovadas)”. A criação de um grupo de trabalho de IA (‘AI Task Force) interna “que mapeia casos de uso e cria playbooks práticos”, a inclusão da tecnologia nos planeamentos anuais, a realização de pilotos de utilização com IA, por equipa (exemplo: jurídico, operações, comercial) e a criação do ‘AI Champions’ por departamento, um ‘evangelista operacional’ que apoia adoção local, são outras medidas. Para reduzir a assimetria de conhecimento dentro das empresas, é recomendada a publicação de informação interna sobre onde é que a IA está a ser utilizada, resultados e próximas iniciativas, a criação de ‘AI Townhalls’ trimestrais, ou seja, “demos de projetos internos, partilha de aprendizagens, ‘roadmap’ (roteiro)” e “incluir nos murais, ‘newsletters’ e ‘intranets’ uma secção IA em 60 segundos”. A Magma recomenda ainda “incentivar o uso avançado de ferramentas de gen-AI”, onde se incluem os agentes autónomos, entre outros. O estudo “IA – Impacto e Futuro” é uma investigação coordenada pela Magma Studio, em parceria com a CIP e a DSPA – Data Science Portuguese Association, e recolheu a opinião de 2.762 pessoas, ‘online’, entre junho e outubro deste ano. Relativamente à amostra, 60,3% dos inquiridos são profissionais de empresas e/ou profissionais liberais e 39,7% são alunos universitários. Leia Também: Estudo indica que empresas portuguesas devem adotar IA estrategicamente



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