Portugal tem potencial para substituir até 60% do gás por

Portugal tem potencial para substituir até 60% do gás por

Esse cenário resulta de estudos realizados pela Floene com o apoio da Roland Berger, que identificam um elevado potencial de produção nacional de biometano e capacidade para substituir uma parte relevante do consumo atual de gás. Segundo Gabriel Sousa, já são mais de 200 pedidos de ligação de projetos de biometano à rede, com cerca de 18 contratos assinados, alguns prestes a entrar em operação em 2026. “Começa a tomar forma, começa a ser uma realidade. Mas temos que andar muito mais rápido”, disse em entrevista à Lusa. O executivo ressaltou que uma das principais vantagens do biometano – produzido a partir de resíduos sólidos urbanos e do setor agropecuário – é o fato de ser “exatamente igual ao gás natural”, diferindo apenas na origem. “A única diferença é que ele é produzido de forma com economia circular, aproveita os resíduos e por isso é neutro em emissões”, explicou. Usando uma analogia com a eletricidade verde, Gabriel Sousa destacou que, assim como acontece quando se liga um interruptor sem saber a origem da eletricidade consumida, o biometano também pode ser usado indistintamente na rede. “Ele é completamente misturável com o gás natural, é igual ao gás natural. A forma de produção é que não é fóssil, é um gás verde produzido em território nacional”, afirmou. Nesse sentido, acrescentou, “é completamente intercambiável” e pode ser absorvido integralmente pela infraestrutura existente, sem a necessidade de adaptações relevantes. O biometano, inclusive, já começou a ser injetado na rede em algumas cidades do Sul do país, substituindo o gás natural liquefeito previamente importado. “Nós já temos hoje em dia cidades no sul do país que estão recebendo cargas de biometano produzido em território nacional”, reforçou. Em paralelo, o responsável também destacou o potencial do hidrogênio, apontando que a rede de distribuição de gás em Portugal – considerada a mais moderna da Europa – está preparada para integrar esse gás renovável. “A rede de distribuição é muito recente e cerca de 95% é construída em polietileno, um material que se comporta perfeitamente com o hidrogênio”, disse, referindo-se ao projeto piloto desenvolvido no Seixal, que demonstrou a viabilidade técnica dessa integração. Ainda assim, ele ressaltou que o biometano representa uma oportunidade mais imediata. “É uma tecnologia mais madura, vários países já estão desenvolvendo com níveis notáveis ​​de produção, e portanto é um ‘quick win’ (ganho rápido), um processo muito mais rápido de começarmos a ter gases renováveis ​​na infraestrutura”, afirmou. Apesar desses avanços, o desenvolvimento do setor enfrenta desafios regulatórios e administrativos, lamentou, destacando a necessidade de previsibilidade para os investidores. “O desenvolvimento de projetos de biometano (…) precisa de uma previsibilidade de mercado. Os investidores precisam ter uma noção muito clara de quais são os contextos legal e regulatório e como esses investimentos podem ser recuperados”, acrescentou. “Os processos de licenciamento precisam ser mais rápidos e previsíveis e as regras para um produtor se conectar à rede de gás precisam ser mais eficientes, estáveis ​​e claras”, defendeu. Comparando Portugal com outros países europeus, Gabriel Sousa apontou que França, Itália, Dinamarca e Espanha têm sistemas mais avançados de produção e integração de biometano. O oficial concluiu que, embora os primeiros passos estejam sendo dados, o país precisa acelerar o processo. “Tem que deixar de ser uma realidade tímida e passar a ser uma realidade com crescimento muito significativo”, alertou. Leia Também: Governo esclarece: Eventual “crise energética” vale para gás natural

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