Preços aceleram à boleia dos combustíveis: Inflação sobe

Confirma-se: a taxa de inflação subiu para 2,7% em março de 2026, uma subida que é praticamente explicada pelo aumento dos preços dos combustíveis, de acordo com os dados divulgados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
“A variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC) foi 2,7% em março de 2026, taxa superior em 0,6 pontos percentuais (p.p.) à observada no mês anterior. A aceleração do IPC é quase na totalidade explicada pelo aumento do preço dos combustíveis”, pode ler-se no relatório do INE.
O indicador de inflação subjacente – índice total excluindo produtos alimentares não transformados e energéticos – registou uma variação de 2,0% (1,9% em fevereiro).
Já a variação do índice relativo aos produtos energéticos aumentou para 5,7% (-2,2% no mês anterior) e o índice referente aos produtos alimentares não transformados registou uma variação de 6,4% (6,7% no mês anterior).
O INE adianta ainda que a variação mensal do IPC foi 2,0% (0,1% no mês precedente e 1,4% em março de 2025). A variação média dos últimos doze meses foi 2,3% (valor idêntico no mês anterior).
Por sua vez, o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) português apresentou uma variação homóloga de 2,7% (2,1% no mês anterior), “taxa superior em 0,2 p.p. ao valor estimado pelo Eurostat para a área do Euro (em fevereiro, esta diferença tinha sido idêntica)”.
“Excluindo produtos alimentares não transformados e energéticos, o IHPC em Portugal atingiu uma variação homóloga de 2,0% em março (valor idêntico em fevereiro), taxa inferior à da área do Euro (estimada em 2,2%). O IHPC registou uma variação mensal de 2,3% (0,1% no mês anterior e 1,7% em março de 2025) e uma variação média dos últimos doze meses de 2,2% (2,1% no mês precedente)”, pode ler-se no relatório do INE.
BCE prevê inflação de 3,1% no segundo trimestre
O Banco Central Europeu (BCE) prevê que a inflação na zona euro vai acelerar para 3,1% no segundo trimestre de 2026 devido ao aumento dos preços da energia causado pela guerra no Médio Oriente.
A autoridade monetária afirma no último boletim económico, que a inflação cairá para 2,8% no terceiro trimestre, devido à queda nos preços das matérias-primas energéticas, conforme indicado pelos contratos futuros. Desta forma, a inflação permanecerá acima de 2% no curto prazo.
O BCE também alerta que “uma guerra prolongada no Médio Oriente pode levar a um aumento maior e mais sustentado nos preços da energia do que o previsto atualmente, o que elevaria a inflação na zona do euro”.
O BCE manteve as taxas de juro sobre depósitos bancários em 2% em março. Posteriormente, alguns membros do Conselho de Governadores consideraram prematuro aumentar as taxas na reunião do final de abril, mas outros consideraram essa possibilidade.
O aumento da inflação poderá ser mais intenso e persistente se o crescimento salarial aumentar em resposta à subida dos preços da energia, bem como se a guerra causar interrupções mais generalizadas nas cadeias de abastecimento globais, de acordo com o BCE.
Até o momento, o BCE observa que as expectativas de inflação nos mercados financeiros aumentaram consideravelmente no curto prazo, mas no longo prazo permanecem próximas de 2%.
O BCE prevê um “crescimento moderado” do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2026 na zona euro devido aos efeitos da guerra nos mercados de matérias-primas, no rendimento real e na confiança mundial.
(Notícia atualizada às 11h05)
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