Presidente do BCE alerta que ordem mundial está em perigo

Lagarde recebeu na quinta-feira em Nova York o Prêmio Wolfgang Friedmann, concedido anualmente pela Universidade de Columbia a uma pessoa que fez uma contribuição excepcional para o campo do direito internacional. No University Club de Nova York, onde ocorreu a cerimônia de premiação, Lagarde criticou o conceito de uma “nova ordem mundial”, que ele descreveu como um retorno aos “velhos padrões de coerção e mercantilismo”. A economista defendeu o sistema atual, que começou a tomar forma no século 18, com o surgimento de novos atores, como os Estados Unidos, o Haiti e as nações recém-independentes da América Latina. “Os Estados Unidos, que apoiaram o sistema por décadas, começaram a perder a confiança de que as regras funcionavam a seu favor. E quando o fiador de uma ordem começa a duvidar dela, essa ordem está em perigo”, disse. Lagarde insistiu na inevitável interdependência entre os países, um fato que se tornou evidente em 2025, quando os EUA tentaram impor tarifas à China e “isenções significativas tiveram que ser concedidas em questão de semanas”. A líder de 70 anos reconheceu que as regras da ordem mundial “deixaram de evoluir no ritmo do mundo” e defendeu a reforma do sistema para restaurar a confiança nele, por meio do aprofundamento de acordos bilaterais e regionais. Na quarta-feira, o BCE disse que Lagarde “não tomou nenhuma decisão” sobre uma possível saída do cargo antes do fim de seu mandato de oito anos. Isso horas depois do jornal britânico Financial Times informar que a francesa pretendia deixar a presidência, citando uma fonte próxima a Lagarde, mas que não foi identificada. “A presidente Lagarde está totalmente concentrada na missão que está desempenhando e não tomou nenhuma decisão sobre o fim do mandato”, disse um porta-voz do BCE à agência de notícias France-Presse. Na liderança do BCE desde novembro de 2019, Lagarde gostaria, segundo o Financial Times, de dar aos líderes francês e alemão a possibilidade de chegar a um acordo sobre o sucessor à frente da instituição europeia. O presidente francês Emmanuel Macron, que não pode concorrer a um terceiro mandato como chefe de Estado, gostaria de influenciar a escolha do futuro presidente do BCE, em um contexto político europeu considerado sensível, acrescentou o Fiancial Times. A líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, lidera as pesquisas para as eleições presidenciais. Em caso de impedimento após uma condenação na Justiça, o líder do partido Rassemblement National, Jordan Bardella pode substituir Le Pen como candidato. A nomeação de Lagarde como presidente do BCE ocorreu graças a um acordo entre Macron e a então chanceler alemã, Angela Merkel. Leia também: Christine Lagarde quer sair antes do fim do mandato? BCE nega



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