Privados vão ter vales para limpeza da floresta entre 1.000

“Já temos a legislação pronta, é fazer um projeto PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) para cada um desses municípios, um para Leiria, um para Pombal, um para a Marinha Grande e também outras áreas afetadas, que lhes dá algum financiamento para, de uma forma muito simples, tipo ‘voucher’, fazer já a limpeza desses territórios”, afirmou Maria da Graça Carvalho. Em reunião na Câmara Municipal de Leiria com o executivo municipal, onde também estiveram o secretário de Estado da Energia, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente e o coordenador da Estrutura de Missão Recuperação da Região Centro do País, a governante reconheceu que é “muito urgente” a limpeza da floresta antes da época dos incêndios. Esse trabalho está sendo desenvolvido com o ministro da Agricultura, o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e a Estrutura de Missão. Quanto ao valor dos vales, ainda está em fase de acerto, mas terá uma “ordem de grandeza de 1.000, 1.500 euros por hectare” com uma forma “muito simples” com “prova que é responsável por aquele terreno e tem o ‘voucher’ e limpa o terreno”. “Para cada um desses municípios vai ter um projeto, Leiria vai ter um projeto, o Pombal um projeto, a Marinha Grande um projeto, tem que ter uma unidade de gestora. A nossa vontade – e que nos parece a melhor opção – seria o próprio município ser a autoridade gestora que pode ter a ajuda das juntas de freguesia e, depois, os ‘vouchers’ são para os privados que limpam”, disse. Segundo Maria da Graça Carvalho, “muito em breve” as regras serão divulgadas, e nos casos “em que não se consegue entender de quem são as terras, há legislação que permite que o ICNF entre e limpe”. “Este vai ser um dos projetos mais importantes para esta região, porque a floresta foi, talvez, a maior ferida”, declarou, reconhecendo existir “muitas casas sem telhado” e “fábricas que sofreram muito, mas a floresta vai demorar muitos anos a repor e ela é de tal maneira importante para esta área” que “vale a pena fazer um grande esforço” e “uma simplificação das regras” para reorientar parte do PRR para esta zona e para a floresta. Questionada se há capacidade de resposta das prefeituras para mais essa tarefa, Maria da Graça Carvalho ressaltou que “essa responsabilidade vem com um envelope financeiro”, com “possibilidade ou de delegar às juntas ou de subcontratar”. “A floresta é difícil de conhecer. Há muitos donos que não sabem quais são as extremas dos seus pinhais e, muitas vezes, o presidente da junta sabe melhor até. E, portanto, um programa de floresta tem de ser gerido por alguém muito perto da floresta”, defendeu, insistindo que a opção da tutela passa por ser alguém que “conheça, que saiba quem é quem”, adiantou. À pergunta se há capacidade para mais esse trabalho, o prefeito de Leiria, Gonçalo Lopes, admitiu que, “talvez, ao lado do que é a recuperação do tecido empresarial, do patrimônio individual das pessoas e do que são as obras de infraestrutura viária”, essa tarefa “é capaz de ser aquela que tem uma dimensão de curtíssimo prazo muito exigente”. “Aceito esta disponibilidade para podermos dar o nosso contributo para identificar as melhores estratégias. (…) Estamos disponíveis sempre para trabalhar em equipa e recebendo responsabilidades, mas também trabalhando com aqueles que têm experiência de escala e a escala está, atualmente, no ICNF”, notou. Para Gonçalo Lopes, é assim que “deve ser a gestão de processos como esse”, com diálogo e não “jogar para cima das prefeituras”. Leia Também: Já 30% da frota danificada da Rodoviária do Tietê foi recuperada



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