Produção do setor da construção deverá crescer 4,4% este ano

“No seu conjunto, a evolução diferenciada dos vários segmentos da construção traduziu-se num crescimento global estimado de 4,1% do VBP (Valor Bruto da Produção) em 2025, confirmando a relevância económica do setor e o seu papel determinante no suporte à atividade económica e à execução dos investimentos em curso”, refere a Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN) na “Conjuntura da Construção — Informação Rápida”.
Para 2026, as previsões da associação apontam para que o VBP da construção registe um crescimento médio de 4,4% (intervalo entre 3,3% e 5,6%), “superando o ritmo de expansão do PIB (Produto Interno Bruto) e elevando o valor da produção setorial para cerca de 25.500 milhões de euros, refletindo o contributo determinante do investimento público e a consolidação da carteira de obras em execução”.
“Antecipa-se um enquadramento macroeconómico mais favorável, com o PIB a acelerar para 2,2% e o investimento público a atingir 3,8% do PIB. Neste contexto, 2026 configura-se como um ano determinante para a atividade das empresas do setor da construção e do imobiliário, num quadro de forte intensidade de execução dos projetos previstos no PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) e de reforço do investimento em habitação”, refere.
No ano passado, a AICCOPN destaca o “papel central” do setor na dinâmica económica, “assegurando a execução dos fundos europeus, com destaque para os investimentos do PRR”.
O segmento da engenharia civil foi o principal motor de crescimento do setor, registando um acréscimo estimado de 5,5% no VBP, sustentado por um “volume historicamente elevado” de contratos celebrados, que totalizaram 7.186 milhões de euros até novembro.
Em paralelo, a atividade no segmento dos edifícios habitacionais terá encerrado o ano com um crescimento de cerca de 4% do VBP, “refletindo o reforço da procura e a retoma gradual da produção”.
Já os indicadores relativos aos edifícios não residenciais apontam para uma evolução mais moderada, com o VBP a crescer aproximadamente 1% face a 2024, num contexto de menor dinamismo do investimento privado.
Para este ano, a AICCOPN antecipa uma “consolidação do desempenho sólido” da edificação habitacional, com o VBP a registar uma variação homóloga entre 3,2% e 5,6%.
Segundo explica, “esta evolução resulta do dinamismo observado no licenciamento ao longo de 2025, traduzido num aumento de 6,3% no número de licenças emitidas e de 22,2% no número de fogos licenciados em construções novas até outubro”.
Em paralelo, a estabilização das taxas diretoras do Banco Central Europeu (BCE) “deverá continuar a assegurar condições de financiamento favoráveis, compatíveis com a manutenção dos níveis de procura neste segmento”.
Já o segmento de edifícios não residenciais “deverá apresentar uma progressão mais contida”, entre 1% e 3%, “refletindo a estagnação do investimento privado num contexto económico ainda marcado por incerteza, parcialmente compensada pelo reforço do investimento público”.
Quanto à engenharia civil, deverá manter-se como “o principal motor de crescimento setorial” em 2026, projetando-se um aumento do VBP entre 4,3% e 6,7%.
“Esta evolução assenta na carteira de obras acumulada em 2025, resultante do elevado volume de concursos de empreitada de obras públicas lançados no âmbito do PRR, em fase final de execução, e do Portugal 2030”, explica a AICCOPN.
Até novembro de 2025, os concursos promovidos totalizaram 9.668 milhões de euros, correspondendo a um crescimento homólogo de 28%, o que sustenta a dinâmica de atividade projetada para 2026.
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