Próximo quadro orçamental da UE é “oportunidade histórica”

“O próximo quadro orçamentário da União Europeia (UE), para o período 2028-2034, atualmente em negociação, abre uma oportunidade histórica para Portugal se posicionar em um novo campeonato”, disse hoje António Costa em discurso na Reitoria da Universidade do Porto, na sessão solene do 115º aniversário da instituição. O também ex-primeiro-ministro português destacou “a criação do Fundo Europeu de Competitividade”, que “duplica o montante do Horizonte Europa, estabelecendo estreita parceria entre a pesquisa fundamental, a translação do conhecimento para o setor empresarial e a inovação em quatro áreas estratégicas”. Essas são “transição energética, liderança digital, saúde e biotecnologia e defesa e espaço”. Para António Costa, “o aumento do investimento em ciência é fundamental para reforçar a competitividade em uma economia movida pela inovação”, algo que considerou “condição essencial na defesa da democracia, quando a liberdade de investigar está ameaçada, e não apenas em regimes autoritários” e “quando a veracidade dos fatos é questionada e a ciência tantas vezes ignorada”. “A perspetiva de duplicação dos fundos destinados à investigação, desenvolvimento e inovação no ciclo de programação 2028-2034, é uma grande oportunidade para, em parceria com o tecido empresarial, Portugal aumentar o investimento em Investigação & Desenvolvimento em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB), mas também reforçar o volume de financiamento por investigador”, vincou. António Costa lembrou ainda “a experiência das agendas mobilizadoras, nascida na resposta europeia à pandemia” de covid-19, que criou “um novo modelo de cooperação entre universidades, centros de pesquisa, empresas e organismos públicos”, que apelidou de “colaborações virtuosas que se afirmaram como um modelo de investimento europeu orientado para o desenvolvimento sustentável”. “No novo quadro orçamentário europeu, esse modelo tenderá a se tornar regra”, disse o presidente do Conselho Europeu, o que “permitirá que as Universidades se posicionem ainda mais como elementos vitais para a competitividade da economia portuguesa e europeia”. Para Antonio Costa, “esse é o caminho indispensável para a economia nacional produzir os bens e serviços de maior valor agregado que lhe permitem superar a renda média e criar os empregos de qualidade que os novos recursos humanos do país exigem e que podem ser descentralizados, de forma coesiva, no todo nacional”. Em discurso em que apontou diversos indicadores de desenvolvimento do país desde a adesão à União Europeia, Costa lembrou que “os fundos europeus não suportaram apenas o investimento em infraestrutura rodoviária”, mas “fizeram muito mais”, tendo dotado “o país de instituições, equipamentos e infraestruturas que transformaram estruturalmente a economia e a sociedade”. “Mas não podemos pedir à política de coesão o que a política de coesão não pode dar. Podemos até acreditar que uma galinha pode nos dar ovos de ouro, mas sabemos que só dragões, águias ou leões ganham campeonatos”, alertou, usando uma metáfora com os chamados ‘três grandes’ do futebol português (FC Porto, Benfica e Sporting). Leia Também: Municípios querem maior protagonismo “na implantação do PTRR”



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