Banco de Moçambique Vai Manter “Política de Não Intervenção”
O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, afastou, esta segunda-feira, 23 de Março, em Maputo, a possibilidade de intervenção no mercado cambial, reiterando a continuidade da actual política de não actuação directa por parte do banco central, informou a agência Lusa.
A posição surge numa altura em que o Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou, em Fevereiro, maior flexibilidade cambial e a aproximação entre as taxas de câmbio do mercado oficial e do mercado paralelo.
Falando à imprensa no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), Rogério Zandamela sublinhou que a instituição tem uma orientação clara e sustentada ao longo dos últimos anos.
“A nossa política tem sido esta, de não intervenção no mercado cambial. E não vemos nenhuma razão para intervir”, afirmou Rogério Zandamela, acrescentando que a decisão de abandonar a presença activa no mercado foi difícil, mas necessária.
Rogério Zandamela explicou que o banco central acumulou experiência ao longo de anos de intervenção, tendo optado, posteriormente, por se retirar de forma gradual, num processo que exigiu determinação institucional.
“Foi preciso muita coragem para sair”, frisou Rogério Zandamela, sublinhando que essa decisão não será revertida.
Segundo o governador, a última intervenção no mercado cambial ocorreu em 2023, sendo que, já desde 2021, a presença do banco central era residual, tendo passado a ser inexistente nos últimos anos.
As declarações surgem no contexto das recomendações do FMI, que defende uma maior flexibilidade da taxa de câmbio como forma de reforçar a posição externa do País, reduzir distorções entre mercados e melhorar a alocação de recursos na economia.
No relatório aprovado em 13 de Fevereiro, a instituição considera que as medidas de controlo cambial não devem substituir ajustamentos macroeconómicos necessários, defendendo uma remoção gradual dessas restrições, de modo a evitar perturbações no mercado.
O FMI reconhece, contudo, o compromisso das autoridades moçambicanas com reformas fiscais e de governação, alertando que a sua implementação será determinante num contexto de desafios relacionados com o crescimento económico e o financiamento.
Ainda assim, o organismo recomenda a manutenção de uma política monetária restritiva, advertindo que um eventual afrouxamento poderá agravar a escassez de divisas no mercado.
Perante este cenário, Rogério Zandamela reiterou que a taxa de câmbio não deve ser analisada de forma isolada, mas sim em articulação com o conjunto das políticas macroeconómicas adoptadas pelo País.
“Essa decisão é para valer”, concluiu Rogério Zandamela, reforçando que o Banco de Moçambique não prevê alterar a sua actual estratégia de actuação no mercado cambial.



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