PRR? Estados-membros em pistas diferentes, mas Portugal bem

“Não há aqui uma característica homogênea que nos leve a dizer que estamos numa mesma pista. Uma coisa é executar o PRR português outra coisa é o do Luxemburgo (…) ou de outros países que não têm (uma dotação) de 1.000 milhões de euros”, apontou o presidente da Estrutura de Missão Recuperar Portugal, Fernando Alfaiate, em declarações a Lusa. O PRR nacional tem cerca de 22.000 milhões de euros de dotação. Ainda assim, a Estrutura de Missão, que acompanha a execução do PRR, garantiu que Portugal integra o grupo de Estados com mais importância em termos de desempenho, ao lado de Espanha, Itália, Grécia e Alemanha. Já considerando todos os Estados-membros, apenas Portugal e Itália receberam os oito pedidos de pagamento apresentados. No entanto, esse ‘top’ pode sofrer, rapidamente, alterações, diante da dinâmica de apresentação dos pedidos. “Pode aparecer Espanha ou outro Estado-membro a apresentar dois ou três pedidos de pagamento aglutinados. Não sei como é que eles vão fazer para alcançarem os seus objetivos”, precisou. No final da tabela aparecem países como a Hungria que, por questões políticas, recebeu apenas o adiantamento inicial e que, em pouco mais de quatro meses, não terá mais tempo para executar todo o plano. “Temos sempre que olhar para os outros. Isso não é exatamente um desafio, mas é importante sabermos como os outros se situam, levando em conta essas características que são sempre diferentes, embora exista um grupo de três ou quatro (Estados-membros) que é mais homogêneo”, defendeu. Fernando Alfaiate já havia assegurado que o PRR português será executado a 100%, sem perda de dinheiro, apesar de apontar áreas de maior preocupação, nomeadamente na área da Segurança Social ou os investimentos em habitação. Já sobre o destino da Recuperar Portugal após o fim do PRR e sobre uma possível integração das equipes em outras instituições dedicadas aos fundos Europeus, o presidente da Estrutura de Missão avançou que “ainda não houve uma conversa em nível superior” e se recusou a adiantar mais detalhes. Por outro lado, ele defendeu que a Recuperar Portugal está muito envolvida na realização do plano com sucesso, que conta com uma equipe muito dedicada e que “responsabilidades não faltarão”. Fernando Alfaiate revelou ainda que, após a concretização dos marcos e metas estar encaminhada, a Estrutura de Missão quer fazer um trabalho de comunicação para a que a população reconheça o verdadeiro impacto do plano no país. “Há pouco tempo ouvi em uma entrevista (alguém) que dizia que o PRR tinha sido um fracasso porque nem o novo aeroporto conseguiu fazer, mas o aeroporto nunca esteve no PRR”, exemplificou para ilustrar o desconhecimento sobre o plano. O objetivo passa assim por dar a conhecer, através do seu ‘site’, mas também com recurso a meios como a rádio ou a televisão, a história dos investimentos, o contributo dado na saúde, na habitação, nos equipamentos sociais, nas empresas ou na cultura. O PRR pretende implementar um conjunto de reformas e investimentos tendo em vista a recuperação do crescimento econômico. Além de ter o objetivo de reparar os danos causados pela covid-19, esse plano tem o propósito de apoiar investimentos e gerar empregos. O presidente da Estrutura de Missão Recuperar Portugal defendeu que, idealmente, o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) não terá mais revisões, mas garantiu estar atento a potenciais novos impactos, como a guerra no Oriente Médio. Lusa | 06:42 – 06/04/2026



Publicar comentário