Relatório alerta para “adaptação” a stress e exaustão dos

O documento, elaborado por especialistas do Laboratório Português de Ambientes de Trabalho Saudáveis (Labpats) e ao qual a Lusa teve acesso, diz que o desafio das organizações não é mais apenas reconhecer a importância do bem-estar, mas sim “traduzi-lo em decisões, práticas e condições reais” que devolvam segurança e confiança aos profissionais. Os dados mostram que quem trabalha em médias e grandes empresas mostra mais fatores de proteção no âmbito do ambiente de trabalho saudável. Quanto à saúde mental, 37,6% dos trabalhadores dizem sentir solidão, mas mais da metade (55,5%) diz ser feliz. Contudo, mais de 85% tem pelo menos um sintoma de ‘burnout’ e 41% tem quatro sintomas (exaustão física, exaustão emocional, irritabilidade e tristeza). Em relação à percepção que os trabalhadores têm de suas habilidades para gerenciar situações estressantes, mais da metade (56,1%) diz ser incapaz de controlar as coisas que são importantes em sua vida e 49,5% sentem que as dificuldades se acumularam a ponto de não serem capazes de superá-las. Quanto ao estilo de vida, um em cada cinco entrevistados fuma, 39,5% bebem mais de duas bebidas alcoólicas por dia, 5,8% usam anfetaminas ou estimulantes e mais de 30% tomam medicamentos psicotrópicos. Sobre o que mais valorizam, os profissionais pedem melhor organização do trabalho, mais recursos humanos, maior previsibilidade, pausas e tempos de recuperação, além de lideranças “mais próximas e preparadas”. “A liderança também deveria ter tempo, porque efetivamente para liderar é preciso estar com as pessoas, conhecer as pessoas, acompanhar as pessoas, conseguir ter capacidade de gerir o trabalho”, defende a psicóloga Tânia Gaspar, coordenadora do estudo. Fundadora do Labpats, a especialista ressalta a importância da assertividade e da responsabilidade: “A liderança tem que absorver e pensar se sua equipe consegue, tanto em termos de competência, quanto de capacidade de fazer, e transmitir isso para pessoas e chefes superiores”. “Às vezes, a distância afetiva ou a hostilidade é uma percepção de impotência (…). Muitas vezes há comportamentos das lideranças que são só o reflexo da sua incapacidade”, acrescenta. Os autores do relatório apontam a necessidade de uma comunicação mais transparente nos locais de trabalho, assim como mais justiça, reconhecimento, melhores condições físicas e ergonômicas e uma integração efetiva da saúde mental nas políticas da organização. “Mais do que pedidos avulsos, essas propostas configuram uma agenda consistente para tornar o trabalho mais digno, mais sustentável e mais humano”, ressaltam os autores do relatório. O Labpats estuda a saúde e o bem-estar de profissionais e organizações, ajudando a definir políticas com impacto na saúde e bem-estar, desenvolvimento saudável e sustentável de profissionais e organizações. Leia Também: Quase 40% dos profissionais dizem ser vítimas de assédio trabalhista



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