Renováveis ​​reduzem impacto em Portugal de instabilidade

Renováveis ​​reduzem impacto em Portugal de instabilidade

As hostilidades iniciadas no final de fevereiro com ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel contra o Irã fizeram disparar os preços do petróleo e do gás, devido ao fechamento quase total do Estreito de Ormuz e ataques contra alvos energéticos no Golfo Pérsico. “Nós não temos petróleo, nem gás, mas há uma coisa que nós temos em abundância: temos sol, temos vento e temos água”, destacou à Lusa Machado, que se encontra em Macau a participar no Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental 2026 (MIECF, na sigla inglesa). Portugal é líder na União Europeia em energias renováveis, com mais de 80% da eletricidade gerada nos primeiros dois meses de 2026 vinda de fontes limpas, segundo informações disponíveis no portal da Associação Portuguesa de Energias Renováveis ​​(APREN). As principais fontes são a hídrica (36,8%) e a eólica (35%), com crescente destaque para a solar (5,2%), ainda de acordo com a APREN. Esse desempenho, aponta Machado, foi impulsionado, em grande parte, pela intensa chuva que permitiu encher os reservatórios nacionais. “Este ano enchemos as barragens todas. Aliás, enchemos e tivemos que fazer descargas de superfície porque elas estavam literalmente cheias”, apontou o dirigente. Para Machado, essa estratégia de aproveitar os recursos que o país tem “não dependendo do exterior” tem se mostrado a correta para limitar a escalada de preços para os consumidores. “O caminho de Portugal nas renováveis ​​é um caminho certo. E este ano mostrou que é mesmo esse caminho e até porque limitou os custos de energia”, concluiu, defendendo a necessidade de “acentuar” e “acelerar” essa transição. Neste mês, o Governo português aprovou um pacote de medidas estruturais na área de energia que aposta no reforço da produção renovável, na expansão do autoconsumo e na criação de instrumentos para conter preços em cenários de crise energética. Uma das novidades mais relevantes é a criação de um mecanismo que permite ao Estado intervir diretamente nos preços da energia em caso de crise. O Ministério do Meio Ambiente e Energia explicou que uma eventual declaração de crise energética poderia se justificar, mas apenas ao gás natural, após se verificar um agravamento muito significativo e recente das condições de mercado, com o preço do gás se situando “atualmente cerca de 85% acima dos níveis verificados no início da guerra no Oriente Médio”. Leia também: China mostra força em renováveis ​​em meio à volatilidade energética global

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