“A UGT não queria este acordo. Se houve alguma coreografia,

"A UGT não queria este acordo. Se houve alguma coreografia,

A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho afirmou nesta quinta-feira, em entrevista à SIC que “se houve alguma coreografia” durante as negociações foi da parte da União Geral dos Trabalhadores (UGT). “Houve variadíssimas aproximações, cedências do Governo, das centrais patronais e aparentemente parecia haver alguma cedência da UGT a ponto de nós termos consensualizado 138 normais, como pré-consensualização, e depois ficaram apenas seis pontos”, explicou a ministra. “Hoje, infelizmente, tivemos que concluir que de fato a UGT não queria esse acordo porque voltou a colocar em risco toda a construção, inclusive a construção que ela mesma tinha pré acordado. E, portanto, se houve alguma coreografia certamente que foi do parceiro UGT”, disparou. Da parte do governo, garantiu, houve apenas “boa-fé” e “seriedade com todos os parceiros que quiseram negociar”. Ao ser questionada sobre a reforma trabalhista, que já era o “sonho” de Passos Coelho e que sempre volta à mesa quando o PSD está no poder, a ministra interrompeu, afirmando que “é natural” que assim seja. “As revisões verdadeiramente flexibilizadoras e que fizeram o país andar para frente, na verdade, foram todas feitas na época do PSDB”, disparou. De volta à questão da reforma trabalhista, a governante rejeitou que a UGT tivesse ficado como o “mau da fita” perante a classe trabalhadora se aceitasse o pacote, afirmando que a união “ficava como o parceiro privilegiado de negociação” do Governo. “E tanto que foi que este processo até resistiu, por exemplo, a dois levantos da mesa intempestivos do secretário-geral da UGT, a uma greve geral que a UGT aderiu exatamente na mesma tarde em que estava sentada à minha mesa a negociar. Resistiu a muita coisa. Veja como a UGT de fato foi. Não se pode dizer que nós não a tratamos bem”, afirmou. Quanto ao papel do Governo, Maria do Rosário Palma Ramalho defendeu que foi feito “todo o esforço possível”. “Houve um conjunto de concessões, de aproximações muito significativas, inclusive nas chamadas linhas vermelhas da UGT e portanto, naturalmente, esgotamos o que era possível”, concluiu. A ministra rejeitou também que a reforma laboral retire qualquer direito aos trabalhadores, afirmando mesmo que “houve muita desinformação associada a este processo” e que não corresponde à realidade: “Esta reforma tem vários objetivos, mas um desses objetivos é o reforço de garantias dos trabalhados a variadíssimos níveis”. Por exemplo, na licença parental, na possibilidade de usar o banco de horas e no aumento das indenizações. A ministra defendeu que era preciso uma legislação laboral que flexibilizadora, notando que “o que nos temos hoje é uma legislação laboral em Portugal que é uma das legislações mais rígidas do mundo – e isso são dados da OCDE, não são dados nacionais”. A governadora afirmou que era preciso flexibilizar as regras no quesito local e horário de trabalho e também quanto ao próprio teletrabalho. As negociações para a reforma trabalhista em Concertação Social chegaram ao fim nesta quinta-feira, após nove meses em que os parceiros sociais e o Governo ficaram sentados à mesa. Durante esse tempo, a CGTP ficou de fora, ficando apenas a UGT representando os trabalhadores. No fim, a união dos trabalhadores decidiu não aprovar o pacote. (Notícia atualizada às 21h02) A negociação da reforma trabalhista retornou hoje à Concertação Social, numa derradeira tentativa do Governo de chegar a um acordo e após a CIP mostrar abertura para se aproximar da UGT em alguns assuntos, como o banco de horas individual. Contudo, a reunião terminou sem consenso. Tomásia Sousa | 16:43 – 07/05/2026

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