Travada compra da Remolcanosa pelo Boluda por risco de

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Em causa estava a compra do controle exclusivo da Remolcanosa Portugal pelo Grupo Boluda, operação que incidia nos mercados de prestação de serviços de reboque marítimo portuário e de amarração. Segundo a AdC, a análise concluiu que, no segmento de prestação desses serviços a navios que não transportam mercadorias perigosas a granel no Porto de Sines, a operação eliminaria “a única concorrência efetiva existente”, transformando um “duopólio assimétrico” em uma situação de monopólio. O regulador ressaltou que o mercado em questão apresenta altas barreiras à entrada e demanda obrigatória, concluindo que a entidade resultante da concentração teria capacidade e incentivo para exercer poder de mercado de forma sustentada, nomeadamente por meio do aumento de preços, em prejuízo dos usuários. Durante o processo, a notificante apresentou dois pacotes de compromissos para responder às preocupações concorrenciais identificadas pelo Cade. Contudo, após avaliação, a autoridade considerou que as propostas não eram adequadas nem suficientes para eliminar os riscos identificados, apontando dúvidas quanto à eficácia e viabilidade das medidas apresentadas. A AdC também analisou fatos supervenientes invocados pela notificante, incluindo a futura cessação da concessão atualmente em vigor no Porto de Sines e o anúncio de um novo concurso. Ainda assim, concluiu que esses elementos se baseiam em cenários incertos quanto ao calendário, escopo e resultado, não afastando as preocupações concorrenciais no horizonte temporal relevante para a análise. Diante da ausência de soluções consideradas eficazes para eliminar os obstáculos à concorrência, o Conselho de Administração da AdC decidiu proibir a operação sob a Lei da Concorrência. A autoridade lembrou que havia decidido avançar para uma investigação aprofundada da operação em dezembro de 2025. O grupo Boluda opera “a nível internacional na prestação de serviços de reboque marítimo, no transporte marítimo e terrestre, bem como na logística portuária”, sendo que em Portugal está ativo na “prestação de serviços de reboque marítimo no Terminal PSA do Porto de Sines, no transporte regular de contentores com escala no Porto de Leixões e no Porto de Setúbal, bem como na prestação de serviços de amarração no Terminal PSA no Porto de Sines”. Já a Remolcanosa é uma empresa portuguesa que atua “na área de serviços de reboque marítimo, com presença nos portos de Viana do Castelo, Aveiro, Figueira da Foz, Lisboa, Setúbal, Sines e Portimão”. Leia Também: Angola: FMI recomenda receitas de petróleo para reduzir endividamento

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