Setor da aviação em Moçambique “não está nas melhores

Setor da aviação em Moçambique "não está nas melhores

“O nosso sistema de aviação, infelizmente, neste momento, não está nas melhores condições”, declarou João Matlombe, durante a abertura da Auscultação do Plano Diretor de Aviação Civil (2026-2045), em Maputo. Segundo o governante, Moçambique tem um setor de viação com “muitos desafios” e que “às vezes confunde-se com uma companhia aérea”, com problemas de segurança e “desinvestimento” ao nível de infraestruturas aeroportuárias. “Temos direito de cometer erros diferentes. O que não podemos fazer é assumir que o que não foi ou que não funciona bem tem que ser perpetuado e neste momento, infelizmente, não temos uma boa referência do ponto de vista do sistema de aviação”, reconheceu. A posição surge numa altura em que a companhia aérea estatal LAM está em processo de reestruturação, com o aluguer de novas aeronaves e a regressar às ligações internacionais, mas também num momento de criticas públicas às tarifas que aplica nos voos domésticos. Matlombe admitiu dificuldade em avaliar as tarifas aplicadas pelas empresas quando o país ainda emite licenças aos operadores de aviação sem plano de negócio, sendo necessário “ver se de facto o que está a ser cobrado faz sentido ou não”. “Cada operador todos os dias é licenciado e faz o que quer, tem que haver segurança até mais ou menos para os investidores. O investidor coloca dinheiro, tem que saber que tem que recuperar, tem que haver proteção também dos investidores”, disse, assinalando que a lacuna tira a segurança do investimento que é feito no país. O ministro defendeu ainda a garantia de um regulador nacional com um “papel forte, firme e convicto de que pode e deve organizar”, com o dever de tomar uma posição, não podendo ficar apenas como “mero assistente”, além de ter o dever de criar condições para que haja um equilíbrio, “obrigando” que todos os operadores que querem intervir no mercado doméstico também possam fazer parte da atividade social. Em junho, a empresa pública Aeroportos de Moçambique anunciou, no seu relatório e contas, ter quase duplicado os prejuízos em 2024, para 1.531 milhões de meticais (20,8 milhões de euros). De acordo com o documento, a Aeroportos de Moçambique já tinha registado prejuízos de 849,5 milhões de meticais (11,5 milhões de euros) em 2023, que assim voltaram a crescer 80,3% num ano. Em 2022, registou prejuízos de 820,5 milhões de meticais (11,2 milhões de euros) e em 2021 um resultado líquido igualmente negativo então de 215,6 milhões de meticais (2,9 milhões de euros). Ainda assim, referiu a empresa no documento, o tráfego aéreo de passageiros cresceu 4,16% face a 2023, para 2.055.435, e o movimento de aeronaves aumentou 1,5%, para 61.182. Antes da pandemia da covid-19 foram transportados em Moçambique, em 2019, 2.296.370 passageiros, com 70.602 movimentos de aeronaves. Este crescimento em 2024 é explicado pela Aeroportos de Moçambique com o desempenho da companhia nacional LAM, que responde por 64% dos passageiros e que nesse ano superou os valores de 2023, mas “também o pico histórico observado em 2019”. Leia Também: Banco de Moçambique já prepara gestão do fundo soberano do país

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