Sindicato de Motoristas mandatado para greve, mas quer

Sindicato de Motoristas mandatado para greve, mas quer

Pelos estatutos, a diretoria do SIMM precisa de uma autorização prévia, aprovada em assembleia geral pelos associados, para poder apresentar um aviso de greve em qualquer fase da negociação. “Os outros sindicatos não têm essa limitação, podem fazer quando bem entenderem. No caso do SIMM, e por obrigação de seus estatutos, é necessária a consulta aos associados”, avançou Filipe Costa. A autorização, aprovada por maioria, coloca a direção do SIMM “em pé da igualdade com os demais sindicatos” caso seja tomada a decisão de entrar em greve no setor. No entanto, Filipe Costa esclareceu que “não é intenção deste sindicato, e dos demais sindicatos, usar a greve como arma para conseguir alguns objetivos”, mas adiantou que as estruturas não hesitarão em fazê-lo “caso seja necessário”. “Levando em conta o que aconteceu em 2019, em situações muito similares, temos perfeita noção do impacto que a paralisação desse setor causa à sociedade”, e admitiu que, na atual conjuntura, “teria um impacto muito maior”. “Não há uma intenção clara de fazê-lo, mas não hesitaremos, se for necessário. Temos aqui algumas linhas vermelhas no âmbito da negociação que temos que ver garantidas e iremos lutar por elas”, acrescentou. O caderno de reivindicações inclui assuntos como revisão salarial, revisão do vale-refeição, condições de segurança e jornada de trabalho dos motoristas. Para breve, mas ainda sem data marcada, está prevista uma nova reunião com as associações patronais, para tentar superar o impasse em que as negociações entraram, apesar de um dos sindicatos do setor – o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP), representado pela Fectrans – já ter chegado a um acordo. Para o presidente do SIMM, esse acordo “tem partes” que não podem aceitar, “principalmente no que toca aos limites de tempos de trabalho que irão ser impostos aos motoristas”. Segundo ele, os motoristas de transporte de carga, apesar de terem uma carga horária bastante alta, até agora “podiam estender as jornadas de trabalho dentro de certos limites”. Mas a forma como o texto da proposta patronal é construído sugere que a prorrogação “não é mais uma possibilidade”. “Os empregadores vão usar a extensão (do tempo de trabalho) como obrigação. E nós não podemos permitir que isso aconteça porque não estamos só sobrecarregando quem já tem cargas horárias altas. Estamos colocando em risco a população em geral, porque um caminhão trafegando em uma estrada dirigido por um motorista cansado não vai trazer bons resultados para ninguém”, disse Felipe Costa. De acordo com a diretiva europeia que regulamenta o setor, as jornadas de trabalho dos motoristas podem se estender até 60 horas semanais, desde que não tenham excedido uma média de 48 horas nas 17 semanas anteriores, mas pela legislação nacional, o trabalho extra não pode passar do limite de 200 horas anuais. “Estamos falando de cargas horárias normais de 12 a 15 horas dirigindo veículos pesados ​​em vias públicas. Acredito que não seja muito difícil perceber o cansaço que isso causa nos motoristas”, reforçou o dirigente sindical. Ele disse que nesta época do ano, a maioria dos motoristas já passou do limite de 200 horas extras anuais. “Sob a legislação trabalhista portuguesa, não deveriam prestar mais trabalho extraordinário. A realidade é que dali para frente continuam prestando, embora não sejam recompensados ​​por isso”. Embora recebam compensação pela regulamentação horária, e as empresas se disponibilizem a fazer um pagamento adicional, a posição do SIMM é que os motoristas não devem ser forçados a atingir os limites permitidos por lei. “Os limites que poderiam ser atingidos se tornam os limites normais de trabalho para os motoristas, e não podemos permitir isso”, disse ainda. Para o SIMM e os outros três sindicatos que representam o setor que não chegaram a um acordo, “essas medidas são linhas vermelhas”, disse. Leia Também: Confagri aponta passividade do governo: “Setor agroalimentar sob pressão”

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