Turismo contribuiu com menos de 1% do PIB de Moçambique em

Segundo dados provisórios da execução orçamentária do Ministério da Fazenda, o indicador referente à contribuição do turismo no PIB teve execução de 0,92% em 2025, “realização de 21% em relação à meta fixada para o ano”, que era de 4,42%. “O que indica uma retração relativa a contribuição do turismo na economia”, admite-se. Em 2024, segundo o mesmo documento, esse peso foi de 4,02% do PIB e até 2029 a meta definida pelo governo é de 6%, por isso “o setor precisa envidar esforços no sentido de atingir uma taxa de crescimento médio anual superior a 1,25 ponto percentual nos próximos anos”. No mesmo sentido, o indicador da taxa de crescimento de hospedagem, restaurantes e similares registrou retração de 0,06% em 2025, “distanciando-se significativamente dos 8,24% (de crescimento) projetados para o período em análise”. “Esse desempenho alerta sobre a viabilidade das metas de longo prazo. Para alcançar a meta de 11,20% em 2029, o setor deverá implementar reformas estruturais profundas e adotar estratégias fortes de recuperação que revertam a tendência atual”, diz. O fluxo de turistas em Moçambique aumentou para 1,27 milhão de turistas em 2025, mais quase 15% em um ano. Segundo informações prestadas pelo ministro da Economia, Basílio Muhate, Moçambique registrou um fluxo de 1,09 milhão de turistas em 2024, um “indicador que reflete a retomada consistente e a crescente robustez do setor”. Esse crescimento foi registrado em um ano ainda fortemente marcado, de janeiro a março, pelos protestos pós-eleitorais, que desde outubro de 2024 causaram mais de 400 mortes e destruição de empresas e infraestruturas públicas. O número de turistas estrangeiros nos hotéis em Moçambique mais que triplicou em cinco anos, para quase 760 mil em 2024. De acordo com o anuário estatístico do INE relativo a 2024, os hóspedes estrangeiros nos estabelecimentos hoteleiros do país passaram de 216.297 em 2020 para 757.458 em 2024, período que abrange as mudanças legais que isentaram de vistos turistas de 29 países. Já o número de hóspedes moçambicanos nos hotéis do país recuou 18%, de 1.336.088, em 2020, para 1.097.864, em 2024. O Governo moçambicano lançou em fevereiro um novo portal para registro de vistos de turismo ‘online’, após suspender o pré-registro obrigatório em maio de 2025 por problemas técnicos no sistema. “Através desta plataforma, todos aqueles que desejam visitar Moçambique podem agora fazê-lo, aplicando (o pedido prévio) para ter autorização para viajar para Moçambique, obtendo o visto ‘online'”, anunciou na época o ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga. “Queremos, por esse meio, dar o primeiro passo para permitir que Moçambique seja de fato um destino turístico, atrativo, visitado por todos, e simplificar o processo de obtenção dessa autorização”, acrescentou o ministro. O Serviço Nacional de Migração (Senami) suspendeu, em 19 de maio, a obrigatoriedade de comunicação de entrada em Moçambique a turistas de 29 países isentos de visto com 48 horas de antecedência. A medida, inicialmente anunciada um mês antes, gerou preocupação imediata nos agentes de viagens, dada a ausência dessa imposição desde o início da isenção de vistos para turistas desses países, incluindo Portugal, em maio de 2023. Moçambique introduziu em dezembro de 2022 o Visto Eletrônico (e-Visa) e, em maio seguinte, a isenção de vistos para cidadãos de 29 países, simplificando ainda a concessão de vistos de investimentos para períodos maiores a estrangeiros. Leia Também: Anistia denuncia prisões arbitrárias em Angola e Moçambique



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