“Quem não controla a sua infraestrutura digital não controla

Portugueses trabalham "pouco"? Problema é "haver pouco

A economista da inovação, professora da UCL, conselheira da ONU e da UE, listada na Forbes como uma das 50 mulheres mais influentes na área de tecnologia falava na abertura do último dia do congresso da APDC (Digital Business Congress), que decorre no Fórum Tecnológico de Lisboa (LISPOLIS), sob o mote “A Europa na Era Digital – O Equilíbrio entre Soberania, Segurança e Inovação”. “A soberania digital não é um obstáculo para a competitividade europeia, mas uma condição para ela. Porque, no século 21, quem não controla sua infraestrutura digital não controla seu futuro”, disse Francesca Bria, que esteve no congresso a convite da Axians Portugal. “Acredito que este é o momento certo para promover um modelo soberano de inovação que garanta a autonomia estratégica e a competitividade da Europa”, acrescentou a executiva, que falava sobre a Europa, a soberania digital e a criação de valor. Ele defendeu um “modelo que assegure a plena participação dos cidadãos, dos trabalhadores e das empresas, que proteja nosso meio ambiente, os dados e os direitos fundamentais das pessoas, e que crie a próxima geração de empresas europeias, os campeões europeus de tecnologia”. A responsável falou da alta dependência da Europa de tecnologias e matérias-primas de outros países, nomeadamente dos Estados Unidos, e defendeu que existem alternativas europeias. “Nenhuma delas exige um avanço tecnológico revolucionário. Os componentes já existem. O que falta é o compromisso em matéria de aquisições, o capital em larga escala e a vontade política em nível continental”, ressaltou. Esta “é uma verdadeira política industrial digital para a autonomia estratégica da UE, com três pilares: segurança, competitividade e democracia, em todos os domínios estratégicos: chips, computação em ‘cloud’ (nuvem) soberana, inteligência artificial, computação quântica, 6G e 5G, satélites e espaço, energia e materiais críticos e defesa”, elencou. A Europa “está pronta para investir muito na criação de sua própria base industrial e de defesa agora”, enfatizou, e os instrumentos já estão em vigor: Lei dos Chips2, a estratégia continental para IA (AI Continent Action Plan), a estratégia industrial europeia de defesa, entre outros. “Mas nenhuma delas é opcional, todas precisam de escala e comprometimento neste momento”, reforçou a economista. Em seu discurso, Francesca Bria apontou 10 ações para a soberania digital europeia, entre elas destacou em primeiro lugar “as aquisições” com “uma meta vinculativa europeia: 50% do investimento público em tecnologia digital até 2030 deve ser europeu”. Em segundo lugar, o financiamento, “um fundo soberano de tecnologia na ordem de 100 bilhões de euros, atraindo o BEI (Banco Europeu de Investimento), CEI (Conselho Europeu de Inovação) e investidores institucionais para financiar o estoque soberano da UE e o ecossistema de tecnologias avançadas da UE em grande escala”. Terceiro, a capacidade: “Precisamos acelerar a difusão e a adoção da IA ​​com iniciativas emblemáticas de IA na área da saúde e IA industrial para PMEs, por exemplo, que são verdadeiramente a espinha dorsal da competitividade da Europa”, disse. Leia Também: TVDE. Que horas é o pico de mobilidade em Portugal?

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