Eleições Gerais: Cidadãos Com Incertezas Sobre o Futuro Devido ao Actual Contexto Que o País Vive

Na periferia de Maputo, as opiniões sobre as contestações aos resultados eleitorais divergem, mas a indefinição é colectiva, com as pessoas a fazerem compras e comerciantes a queixarem-se de prejuízos face ao risco de novos confrontos e paralisações, informou a agência Lusa.


Escrita Por: Administração | Publicado: 1 year ago | Vizualizações: 211 | Categoria: Economia


“Estou a fazer ‘stock’ para casa porque, se Venâncio Mondlane [candidato presidencial que contesta os resultados eleitorais] falar, não sei quando é que as lojas estarão novamente abertas”, explicou à Lusa Maria Regina, momentos após deixar o principal supermercado do bairro de Mavalane, na periferia da capital, Maputo. Venâncio Mondlane, que no domingo disse que o povo se devia “preparar para tempos difíceis”, contesta os resultados (apresentados pela Comissão Nacional de Eleições na quinta-feira, 24), que dão a vitória a Daniel Chapo, apoiado pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder, com 70,67% dos votos. Outras Notícias Para Ler Cientistas Criam o Computador Quântico Mais Pequeno do Mundo Cientistas Criam o Computador Quântico Mais Pequeno do Mundo 29 de Outubro, 2024 Namíbia: Galp Inicia Segunda Campanha de Exploração e Avaliação de Petróleo 29 de Outubro, 2024 Wall Street Regressa aos Ganhos Wall Street Acompanha Ganhos Das Praças Europeias a Abrir a Semana 29 de Outubro, 2024 Será Que as Redes Sociais Influenciam ou Não no Processo de Selecção? Descubra Será Que as Redes Sociais Influenciam ou Não no Processo de Selecção? Descubra 29 de Outubro, 2024 Venâncio Mondlane contesta os resultados apresentados pela Comissão Nacional de Eleições na quinta-feira (24), que dão a vitória a Daniel Chapo, apoiado pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), com 70,67% dos votos Mondlane convocou uma “paralisação geral”, mas, após o assassínio de Elvino Dias, seu advogado, e Paulo Guambe, mandatário do partido Podemos, que o apoia, chamou os seus apoiantes às ruas, dando-se, assim, início a confrontos entre manifestantes e polícia em vários pontos do País, com feridos e detidos, além de lojas fechadas. “A revindicação é justa, sobretudo para os meus filhos e netos para que, pelo menos, mude alguma coisa. Para mim, já não há nada”, declarou Maria Regina, de 57 anos, admitindo, no entanto, que teme que a situação arraste o País para o “caos”. Na rua, apesar dos esforços das autoridades municipais para repor os danos, pedras e vestígios de pneus queimados em quase todas as avenidas ainda mostram a magnitude dos confrontos, com algumas lojas e outras infra-estruturas danificadas. Na periferia de Maputo, as opiniões sobre os protestos são diferentes, mas a indefinição sobre o que vai acontecer nos próximos dias é colectiva, numa sociedade em que a maioria depende da rua para sobreviver. “Estamos a pedir espaço para trabalhar porque não temos nada para comer em casa. Nós já fizemos a nossa parte, eles agora que façam a parte deles”, declarou Dércia Isaías, uma comerciante informal que vende marisco e que se queixa de avultados prejuízos desde o início das manifestações. Como Dércia, Cacilda Muthisse, que vende comida no mercado de Xiquelene, também pede que os “chefes se entendam”, lembrando quem são as principais vítimas dos confrontos da semana passada. “Desde quinta-feira (24) que não estamos a trabalhar, com receio. O gás lacrimogéneo que foi disparado chegou à minha casa. Muitas crianças até desmaiaram e nós nem estávamos na manifestação. Ninguém gostou do que aconteceu”, frisou Cacilda Muthisse. Em linha contrária, ainda em Xiquelene, o motorista Francisco Macuacua considera que mesmo se fosse para paralisar o País por um ano, “lutar pela democracia é legítimo”. Na periferia de Maputo, as opiniões sobre os protestos são diferentes, mas a indefinição sobre o que vai acontecer nos próximos dias é colectiva, numa sociedade em que a maioria depende da rua para sobreviver “Ainda que seja para ficar um ano em casa, vai valer a pena. Não estamos a lutar por nós, mas sim pelas próximas gerações. Temos, em média, 45 anos de idade, nascemos e vivemos com a Frelimo a cuidar de nós, mas cuidou muito mal, e agora queremos um novo pai”, afirmou Francisco Macuacua. Além de Mondlane, também o presidente da Resistência Nacional de Moçambique (Renamo, actual maior partido da oposição), Ossufo Momade, um dos quatro candidatos presidenciais, disse não reconhecer os resultados eleitorais anunciados pela CNE e pediu a anulação da votação. O candidato presidencial Lutero Simango, apoiado pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM), recusou igualmente os resultados, considerando que foram “forjados na secretaria”, e prometeu uma “acção política e jurídica” para repor a “vontade popular”. O anúncio dos resultados pela CNE desencadeou violentos protestos e confrontos com a polícia em Moçambique, sobretudo em Maputo, por parte de manifestantes pró Venâncio Mondlane. O Centro de Integridade Pública (CIP), organização não-governamental que monitorizou o processo eleitoral, estima que dez pessoas morreram, dezenas ficaram feridas e cerca de 500 foram detidas, no contexto dos protestos e confrontos durante a greve e manifestações de quinta e sexta-feira.
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