Consumo de gás natural sobe 11% em 2025 mas abaixo das

Segundo o “Boletim de Utilização das Infraestruturas de Gás” da ERSE, o aumento homólogo do consumo global foi impulsionado pela subida de 92,7% no mercado elétrico, enquanto o setor industrial e as redes de distribuição registaram uma redução de 14,7% e 3,1%, respectivamente. O consumo total de gás de 45,0 TWh foi dividido entre 13,8 TWh no mercado elétrico e 31,2 TWh no mercado convencional. Considerando apenas o quarto trimestre de 2025, totalizou 12,0 TWh, 7,1% a mais em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, traduzindo um aumento de 33,3% no mercado elétrico (3,8 TWh), associado a maior utilização de usinas de ciclo combinado, e redução de 1,9% no mercado convencional (8,2 TWh). “O aumento do consumo de gás resulta dos efeitos do ‘apagão’ de 28 de abril de 2025, que implicou um reforço das medidas de segurança da operação do sistema elétrico, através de mobilização de centrais a gás”, diz a ERSE. O regulador detalha que a ponta diária em cada mês do consumo de gás registrou valores acima do mesmo período de 2024, com exceção de dezembro. No mesmo período, o preço médio do gás no Mercado Ibérico de Gás (Mibgas) com entrega na Espanha ficou em 29,75 Euro/MWh (euros por megawatt/hora), uma redução anual de 32,0%. Segundo a ERSE, essa evolução “também evidencia menor volatilidade de preços”, com “picos menos frequentes e menor amplitude de variação”. Em 2025, a capacidade contratada na regaseificação se manteve estável, atingindo o valor de 179 GWh/dia (89,6% da capacidade disponível para fins comerciais – CDFC), sendo que a média diária da capacidade nomeada foi de 124 gigawatts (GWh)/dia, abaixo do registrado em 2024 (129 GWh/dia) e sem congestionamento na contratação de capacidade na regaseificação. O Terminal de GNL (gás natural liquefeito) de Sines – responsável pela recepção, expedição, armazenamento e regaseificação de GNL – recebeu 46 navios metaneiros para operações de descarga, uma redução de 13,2% em relação ao total de navios recebidos em 2024. As origens desses navios foram Nigéria (23 navios metaneiros), EUA (20) e Rússia (três), com o valor total de energia descarregada no terminal correspondendo a aproximadamente 47,7 TWh, menos 1,5% em relação a 2024. O Terminal de GNL representou 94% do gás natural importado e injetado na rede de transmissão, num total de 44,6 TWh. Além disso, foram expedidos 2,2 TWh de GNL por via rodoviária, correspondendo a 7.546 cisternas, refletindo um aumento homólogo de atividade de 2,9%. No quarto trimestre de 2025, em 87% dos dias o processo de regaseificação foi usado entre 40% e 80% de sua capacidade, “deixando margem para responder a picos de demanda”, nota a ERSE. No boletim, o regulador também diz que, até o final de 2025, a contratação média da capacidade de armazenamento subterrânea foi de 95,0% da CDFC, menos 4,3% em termos anuais. “O produto de capacidade anual permaneceu o mais procurado, por seu menor custo em relação aos de curto prazo”, diz. Já a capacidade de extração contratada atingiu 9,9% da CDFC, mais 27,4% em relação a 2024, enquanto a capacidade de injeção contratada no armazenamento subterrâneo se fixou em 29,8% da CDFC, 9,5% acima do valor homólogo de 2024. “Portugal ultrapassou a meta intermédia europeia de armazenamento de gás (90%), atingindo 96,2% a 01 de novembro, enquanto a nível europeu o ‘stock’ médio de gás armazenado em cavernas foi de 82,8%”, destaca a Aneel. Em 31 de dezembro, o ‘estoque’ de gás estava em 93,5% da CDFC, o equivalente a 27 dias de consumo médio nacional. Em relação ao Ponto Virtual de Interligação Ibérico (VIP Ibérico), que consolida as duas interligações entre Portugal e Espanha, “apresentou uma baixa utilização, registando um saldo exportador de aproximadamente 1,9 TWh”. Leia Também: ERSE avalia eventuais “compensações” após relatório que iliba Portugal



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