PRO.VAR reclama medidas para tirar restauração de “momento

“A restauração em Portugal vive um momento crítico que não pode continuar a ser ignorado, nem por leituras macroeconômicas simplistas, nem pela ausência de uma posição clara do Governo perante a realidade do setor”, afirma a associação em comunicado. Ressaltando ser hoje “praticamente impossível sustentar uma oferta intermediária e equilibrada”, a PRO.VAR explica que “o aumento contínuo de custos, matérias-primas, mão de obra, energia e outros custos de contexto, aliado a uma carga tributária extremamente alta, acima da média dos principais países concorrentes, está empurrando a restauração para um modelo desequilibrado”. Um modelo em que, garante, “não é mais viável a segmentação natural do setor, especialmente na faixa intermediária, aquela que concentra o maior volume de negócios, gera alto valor agregado e atende a maioria da população”. Ora, enfatiza, “é justamente nessa base que se baseia a restauração tradicional portuguesa”, sendo “também aqui que o setor está hoje perdendo consistência, ficando espremido entre ofertas de baixo preço, muitas vezes apoiadas por lógicas de escala e forte concorrência internacional, e propostas de ‘ticket’ alto, mais orientadas para nichos e turismo”. Segundo a PRO.VAR, esse desequilíbrio “compromete não apenas a sustentabilidade econômica do setor, mas também sua função social e seu papel na economia nacional”, já que sem uma base intermediária forte, perde-se “capacidade de gerar valor, emprego e identidade, colocando em risco um dos pilares da economia e da cultura portuguesa”. A essa situação, a associação destaca somar “um problema estrutural grave” em um setor “desregulado, onde nem todos operam com as mesmas regras, penalizando quem cumpre e enfraquecendo a base da restauração tradicional portuguesa”. Rejeitando “leituras públicas que parecem desvalorizar as dificuldades reais do setor”, a PRO.VAR reforça que “os dados agregados não refletem a realidade da maioria das empresas”, sendo 98% da restauração nacional composta por “micro e pequenas empresas, altamente dependentes do mercado interno, com forte incorporação de valor nacional e sem capacidade de escala para absorver os fortes impactos em termos de custos que se fazem sentir desde a pandemia”. Voltando a 2012, quando com a alta do IVA “milhares de restaurantes fecharam e muitos dos que sobreviveram perderam capacidade de investimento, se desposicionaram ou foram empurrados para modelos de nicho”, a associação garante que o setor enfrenta hoje “uma pressão ainda maior”. “O aumento generalizado dos custos supera, em muitos casos, o impacto que então resultou da subida do IVA”, sustenta, alertando que o “risco de repetir” o ciclo vivido nesse período, mas “com consequências ainda mais profundas”, é “uma realidade que já se começa a sentir”. Considerando “imperativo que o Governo avance com reformas estruturais há muito diagnosticadas”, a PROV.VAR destaca a queda do IVA das refeições de 13% para 6% e a implementação de um modelo forfetário de IVA, “como forma de garantir equidade, sustentabilidade e futuro para o setor”. Além disso, ele adverte que os apoios anunciados em janeiro “continuam por concretizar”, num momento em que as empresas enfrentam uma pressão crescente de tesouraria, e que “este atraso, aliado à ausência de uma posição clara perante o debate público em curso, levanta legítimas preocupações no setor”. “O setor não precisa de mais diagnósticos, precisa de decisões e com urgência. As soluções estão identificadas há muito tempo. Esta é, possivelmente, a última oportunidade para evitar o enfraquecimento irreversível da restauração tradicional portuguesa, um dos pilares econômicos, sociais e culturais do país”, finaliza. Leia Também: TVDE em protesto na 4ª-feira por defesa do setor



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