DECO apoia medidas do BdP para crédito mais responsável

DECO apoia medidas do BdP para crédito mais responsável

“Todas as medidas que venham no sentido tornar o crédito mais responsável vão no bom sentido”, disse à Lusa a coordenadora gabinete de proteção financeira da DECO, Natália Nunes. O jornal Expresso noticia hoje que o Banco de Portugal (BdP) se prepara para ‘apertar’ as regras do crédito à habitação, desde logo baixando a taxa de esforço máxima dos clientes. Até agora, os clientes não devem gastar mais de 50% de sua renda líquida em dívidas e o regulador quer diminuir (para 40% ou 45%). Há algum tempo, o supervisor e regulador bancário vem mostrando que está preocupado com o ritmo de concessão de empréstimos pelos bancos devido aos riscos para clientes e para bancos, o que poria em causa a estabilidade financeira. A preocupação tem sido mais comentada desde que a garantia pública no crédito imobiliário para jovens entrou em vigor. A responsável lembrou que, desde o início da medida, a Deco manifestou preocupação de que poderia empurrar jovens para o endividamento excessivo, de modo que o BdP impor limites “pode ​​ser muito positivo justamente para ir no sentido de que haja cada vez mais uma concessão de tal crédito responsável”. A Deco defende que a taxa de esforço máxima das famílias deveria ser da ordem de 35%. Por outro lado, questionada sobre a medida levar a que famílias fiquem sem acesso à compra de casa, Natália Nunes admitiu que sim, mas considerando que é importante prevenir problemas futuros e afirmou que aí mesmo a banca tem demonstrado ter precauções. Para a Deco, o problema da habitação é estrutural e são necessárias outras medidas que não relacionadas com crédito para facilitar o acesso à habitação própria, sobretudo pelos jovens. A Lusa contactou o Banco de Portugal e a Associação Portuguesa de Bancos (APB) sobre este tema mas não obteve respostas. Nas recentes apresentações das contas dos bancos, referentes ao primeiro trimestre, os presidentes têm dito que não preveem grandes riscos nos empréstimos imobiliários para jovens com garantia pública. O presidente do BCP, Miguel Maya, disse em 06 de maio que o banco tem apenas seis casos de incumprimento em crédito à habitação a jovens com garantia pública, considerando que o banco não está a correr riscos maiores com estes empréstimos. Segundo dados do Banco de Portugal, o número de créditos concedidos a clientes com perfil de risco elevado passou de 3% em 2024 para 21% em 2025, o que atribui à garantia do Estado a crédito à habitação a jovens, pois os jovens que beneficiam deste regime financiam no banco a quase totalidade da casa. Segundo Maya, nesses casos, o banco não avalia o risco pela proporção financiada e sim pela capacidade desses clientes de cumprir o pagamento da dívida. O presidente do BCP exemplificou com um crédito imobiliário que financia a casa a mais de 90% do preço mas em que os membros do jovem casal trabalham ambos como engenheiros aeronáuticos, considerando que efetivamente não é arriscado pois eles têm capacidade de pagar a dívida. O presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo, afirmou em 08 de maio que a CGD não atribui esse crédito só por ter garantia de Estado mas porque que a família tem meios para pagar as prestações, tal como em todos os empréstimos. Leia Também: BdP quer regras mais rígidas no acesso ao crédito imobiliário: Como?

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