Peritos da UE querem fim da financeirização da habitação (e

Peritos da UE querem fim da financeirização da habitação (e

Em causa estão recomendações hoje enviadas ao executivo comunitário por este organismo composto por peritos independentes da UE, a cerca de um mês de a instituição divulgar um plano europeu, nas quais defendem uma “mudança de paradigma de forma a que a habitação seja vista como uma infraestrutura social e económica essencial, desencorajando a financeirização da habitação, em que esta é valorizada como um ativo especulativo e não como o lar estável de alguém”. Estes especialistas sugerem também “acabar com a falta de habitação adotando uma política de ‘housing first’ (abordagem social que garante primeiro o acesso a uma casa digna) é a melhor forma de garantir que existe oferta suficiente para satisfazer todas as necessidades habitacionais, especialmente da geração mais jovem, dos idosos e das pessoas com deficiência”. “A tributação dos contratos de arrendamento de curta duração pode ajudar a financiar esta estratégia”, é proposto, numa alusão ao alojamento local. Segundo este conselho consultivo, a UE “não deve depender apenas de novos edifícios para aumentar a oferta, sobretudo quando isso conduz à expansão urbana descontrolada”, devendo focar-se “na utilização eficiente dos edifícios existentes e na regeneração urbana, garantindo uma mistura social e evitando deslocações forçadas em cada área”. Ao mesmo tempo, “é necessário acelerar os processos de planeamento urbanístico para ajudar a reduzir os custos de construção” e expandir “novas soluções de habitação acessível do tipo ‘custo de arrendamento'”. “Enquanto a habitação em algumas cidades se torna proibitivamente cara, noutras áreas – muitas vezes rurais – está a tornar-se cada vez mais abandonada e desvalorizada. Podemos corrigir esse desequilíbrio investindo em infraestruturas que facilitem o regresso das pessoas às zonas rurais, vilas e aldeias”, é ainda sugerido. Esta semana, a Comissão Europeia disse “acompanhar de perto” e querer responder à crise da habitação na UE, com este plano comunitário que será divulgado em dezembro, quando Portugal regista das maiores subidas nos preços das casas. Devido à acentuada crise habitacional na UE, a Comissão Europeia vai apresentar, até ao final de 2025, um Plano Europeu para a Habitação Acessível destinado a complementar as políticas habitacionais ao nível nacional, regional e local, mas mantendo o princípio da subsidiariedade, já que esta é uma competência dos Estados-membros. Para 16 de dezembro, está prevista a apresentação de um pacote europeu sobre a habitação, que inclui um plano da UE para a habitação acessível, uma proposta para revisão das regras de auxílios estatais relativas aos serviços de interesse económico geral, um novo programa Bauhaus europeu e uma nova estratégia para a construção habitacional. O plano vai incluir financiamento, ajudas estatais e limites ao alojamento local. A União Europeia enfrenta uma crise de habitação, em países como Portugal, onde os preços das casas e das rendas têm aumentado significativamente, tornando difícil chegar à habitação acessível, especialmente para jovens e famílias de baixos rendimentos. Estima-se que, na UE, mais de uma em cada quatro pessoas entre os 15 e os 29 anos vivam em condições de sobrelotação, com grande parte dos jovens europeus a deixar a casa dos pais perto ou depois dos 30 porque não conseguem pagar uma casa própria. Em 2023, cerca de um em cada 10 europeus gastava 40% ou mais do seu rendimento em habitação e custos conexos. Leia Também: Confiança dos consumidores na zona euro estabiliza em novembro

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