BCE assina acordos para explorar soluções para o euro

Abrangidos por esses acordos estão os ‘padrões’ da European Card Payment Cooperation (ECPC), que inclui SIBS MB, Nexo Standards e Berlin Group. O anúncio foi feito hoje em comunicado publicado pelo BCE, que considerou que o uso dessas soluções “simplificará a aceitação do euro digital e uniformizará a experiência de uso na zona do euro”. Citado no comunicado, o membro do comitê executivo do BCE Piero Cipollone registrou que essa parceria demonstra “o forte compromisso para garantir que o euro digital funcione com os ‘padrões’ europeus que o setor privado também pode usar”. Em declarações à Lusa, a presidente executiva da ECPC, a portuguesa Ana Grade, considerou que essas assinaturas são “o reconhecimento” de mecanismos que já estavam implantados de forma significativa em terminais europeus. “O uso no projeto do euro digital contribuirá para uma ampliação ainda maior da pegada dos ‘standards’ em termos de pontos de aceitação de pagamentos”, registrou a executiva, por telefone. Na visão de Ana Grade, a escolha do BCE por essas três soluções europeias e usadas por empresas privadas demonstra que o banco central vê o euro digital “como uma complementaridade das soluções de pagamento que já existem” e que permitirá fazer pagamentos que não dependam de outras marcas internacionais. A solução CPACE, da ECPC, “trata do diálogo entre quem paga e quem recebe”, a da Nexo Standards vai “tratar da parte do ponto de aceitação e, portanto, tem a ver com o local de aceitação e com conversa desse local com a entidade que instalou esse terminal ou essa solução de aceitação de pagamentos”, enquanto a do Berlin Group vai realizar um diálogo entre a aceitação e a emissão. “São mesmo ‘padrões’ complementares na cadeia de pagamentos”, explicou Ana Grade. A responsável da ECPC lembrou que a solução da cooperativa, que reúne tecnologias de Portugal, Espanha, França, Bélgica, Alemanha e Bulgária, quando foi criada, em 2020 foi ter uma alternativa a empresas como Visa ou Mastercard. “No caso específico do diálogo entre o meio de pagamento e o ponto de aceitação, para realizar pagamentos ‘contactless’, essa tecnologia que se usava era tipicamente da Visa ou da Mastercard. Faziam questão de, se bandeiras domésticas ou regionais — como MB — quisessem usar a tecnologia, teriam de pagar”, explicou, acrescentando que continuar nesse caminho, além de dispendioso, seria entrar “numa dependência que não é saudável”. Ana Grade, que deixou a administração da SIBS MB, mas onde continua como ‘senior advisor’, ressaltou que essas soluções da ECPC não têm custos em nível de emissor ou em nível de aceitação. O que há, são “tarifas que são aplicadas a vendedores de terminais e vendedores de cartões”. “Se eles querem ter instrumentos para fazer pagamentos ou para aceitar pagamentos que têm uma abrangência mais ampla e, com isso, aumentar suas vendas, isso tem um custo, mas que é baixo e que, portanto, compensa”, defendeu, apontando que essas são as receitas que financiam a atividade do ECPC. Citado no comunicado do BCE, o presidente do Conselho de Administração da Nexo Standards, Jean-Philippe Joliveau, disse estar orgulhoso da colaboração com o BCE. O diretor Markus Schierack, do SRC Security Research and Consulting — que atua como coordenadora do Berlin Group — saudou a escolha do BCE e defendeu que os ‘padrões’ abertos “são as bases de um mercado de pagamentos europeu competitivo e interoperacional”. Em março, o BCE lançou uma chamada para prestadores de serviços de pagamento interessados em participar do teste piloto para o euro digital que deve avançar no segundo semestre de 2027. No mesmo mês, o vice-presidente cessante Luis de Guindos, que será substituído pelo croata Boris Vujcic em junho, estimou que o euro digital estará disponível para o setor institucional e para o público em 2029. Leia Também: Luísa Castel-Branco com saudades da TV? “A verdade é que eu não sinto”



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