Brisa diz que crise dos combustíveis ainda não se sente nas

Brisa diz que crise dos combustíveis ainda não se sente nas

“Não estamos, pelo menos até agora, sentindo na mobilidade — na circulação das rodovias — o impacto dessa crise dos combustíveis fósseis”, disse António Pires de Lima a jornalistas, à margem de uma cerimônia de celebração dos 35 anos da Via Verde, na sede do grupo, em Cascais. Questionado se a crise energética terá impacto nos resultados anuais do grupo e da Via Verde, o presidente da Comissão Executiva da Brisa disse que “o que mais afeta a circulação dos portugueses nas estradas e nas autoestradas é o clima”, frisando que as tempestades de janeiro e fevereiro “tiveram um impacto negativo na mobilidade dos portugueses durante esses meses”. Pires de Lima, que foi ministro da Economia no governo de Pedro Passos Coelho entre 2013 e 2015 (PSD/CDS-PP), ressalvou que, embora a crise dos combustíveis desencadeada com o conflito no Médio Oriente não se esteja a refletir na mobilidade, “o mundo está um pedacinho imprevisível” e que, por isso, não consegue antecipar o que se passará nos próximos meses. “Pode haver, obviamente, algum momento, como essa crise que estamos vendo do petróleo, que recomende uma menor mobilidade. Mas mobilidade está associada à qualidade de vida, à felicidade pessoal”, ressaltou. “A mobilidade tem uma relação direta com a atividade econômica. Se há uma crise do petróleo, uma ameaça de escassez e de aumento de preços, é normal que haja orientações e conselhos no sentido de as pessoas evitarem os deslocamentos que não são necessários”, afirmou. Em relação à estratégia do grupo Brisa, Pires de Lima disse que o grupo tem a ambição de se tornar um operador internacional “em termos de gestão de concessões de autoestradas”. “Estamos olhando, há algum tempo, embora a evolução da geopolítica exija alguma cautela, para oportunidades, nomeadamente nas Américas — América do Norte e América do Sul”, especificou, sem mencionar mais detalhes. Nos serviços de mobilidade, com a Via Verde, a vontade do grupo é “liderar o desenvolvimento de serviços de mobilidade, pay-per-use (pagamento em função do uso) na Europa, como está acontecendo hoje em Portugal”, disse Pires de Lima. Neste momento, o negócio internacional valerá cerca de 25% a 30% do grupo em 2026, já contando com a atividade de uma empresa comprada recentemente na França, a Axxès, que dá acesso da Brisa a 15 países na Europa, com destaque para França, Alemanha, Holanda, Bélgica e Itália, detalhou. O Viva Verde completou hoje seus 35 anos de atuação, iniciada em 1991 com o modelo de pedágio eletrônico. Na cerimônia de aniversário, a empresa anunciou que, em parceria com a Porto Editora, a expressão “Via Verde” passou contar com um verbete no dicionário Infopédia da língua portuguesa com o verbete: “Sistema eletrônico que simplifica e agiliza a cobrança automática de valores devidos pelo uso de infraestrutura e/ou serviços, como pedágio e estacionamento, entre outros”. PCT // CSJ Lusa/Fim

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