BCE mantém taxas de juro. Guerra terá “impacto significativo

O conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE) decidiu, nesta quinta-feira, manter as três taxas básicas de juros inalteradas, mas admitiu que a guerra no Irã trouxe mais incerteza para as previsões e admite que terá “impacto significativo” na inflação. “O Conselho do Banco Central Europeu (BCE) decidiu hoje manter as três taxas de juro diretoras do BCE inalteradas. Está determinado a assegurar que a inflação estabiliza no seu objetivo de 2% a médio prazo. A guerra no Médio Oriente tornou as perspetivas consideravelmente mais incertas, criando riscos em alta para a inflação e riscos em baixa para o crescimento económico”, pode ler-se no comunicado do BCE. Além disso, admite que “terá um impacto significativo na inflação no curto prazo por meio de preços mais altos dos produtos energéticos”. “Suas implicações de médio prazo dependerão tanto da intensidade quanto da duração do conflito e de como os preços dos produtos energéticos afetarão os preços ao consumidor e a economia”, pode ler-se. Ainda assim, a instituição considera que está “bem posicionada para navegar nessa incerteza” e explica: “A inflação permaneceu em torno da meta de 2%, as expectativas de inflação de mais longo prazo estão bem ancoradas e a economia revelou resiliência nos últimos trimestres”. “As informações disponibilizadas no futuro próximo ajudarão o Conselho do BCE a avaliar até que ponto a guerra afetará as perspectivas de inflação e os riscos que as cercam. O Conselho do BCE está monitorando de perto a situação e sua abordagem dependente de dados o ajudará a definir a política monetária apropriada”, acrescenta o BCE. BCE revê inflação em alta O BCE também diz que as “novas projeções elaboradas por especialistas do BCE incorporam excepcionalmente informações até 11 de março, data de fechamento da informação mais tarde do que o habitual”. “De acordo com as projeções de referência, a inflação global será, em média, de 2,6% em 2026, 2,0% em 2027 e 2,1% em 2028. A inflação foi revisada para cima em comparação com as projeções de dezembro, especialmente para 2026, porque os preços dos produtos energéticos serão mais altos devido à guerra no Oriente Médio”, dizia a mesma nota divulgada. O BCE explica que, “no que diz respeito à inflação excluindo preços de produtos energéticos e produtos alimentícios, os especialistas do BCE projetam uma média de 2,3% em 2026, 2,2% em 2027 e 2,1% em 2028”. “Essa trajetória também é mais alta do que a indicada nas projeções de dezembro, principalmente em virtude da transmissão dos preços mais elevados dos produtos energéticos à inflação excluindo preços dos produtos energéticos e dos produtos alimentares”, é ainda referido. A reunião do BCE ocorre no momento em que as tensões no Oriente Médio, incluindo o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% da produção global de petróleo e quase 20% do gás natural liquefeito, têm trazido maior volatilidade nos preços, em especial da energia. O Federal Reserve dos EUA se reuniu na quarta-feira e decidiu manter os juros inalterados, com analistas esperando que o BCE seguisse o mesmo caminho. (Notícia atualizada às 13h27) Leia Também: Hoje tem decisão do BC: O que vai acontecer com os juros?



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