Reservas Internacionais Mantiveram Recorde de Mais de 4,1
advertisemen tAs Reservas Internacionais Líquidas (RIL) de Moçambique permaneceram acima de 4,1 bilhões de dólares em janeiro deste ano, preservando o nível recorde já alcançado em dezembro de 2025, segundo dados de um relatório estatístico do Banco de Moçambique (BdM). O volume de reservas segue garantindo mais de três meses de cobertura das necessidades de importação de bens e serviços do País. De acordo com o documento, citado pela Lusa, essas reservas correspondem a divisas em moeda estrangeira usadas para financiar a importação de bens e serviços essenciais para a economia nacional. Os dados indicam que o nível recorde foi alcançado no final de 2025 e permaneceu praticamente estável no início deste ano. Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, as RILs registraram leve alta, próxima de 1%, consolidando o patamar superior a US$ 4,1 bilhões. O relatório mostra ainda que a trajetória de crescimento já vinha sendo observada nos meses anteriores. Em setembro do ano passado, as reservas aumentaram 1%, atingindo 3,9 bilhões de dólares, valor que se manteve em outubro. Antes disso, em agosto do mesmo ano, o País havia alcançado um recorde histórico de US$ 4 bilhões em RIL. Apesar do reforço das reservas externas, empresários continuam manifestando preocupações com a dificuldade de acesso a divisas na banca comercial, necessárias para a importação de matérias-primas e outros bens. “O Estado deve garantir prioridade no acesso a divisas para empresas produtoras e exportadoras e criar incentivos para quem exporta e substituir importações”Álvaro Massingue Diante dessas queixas, uma fonte do Governo ouvida pela Lusa admitiu que está em estudo a possibilidade de reduzir o nível de reservas, que se tem mantido praticamente sempre acima de três meses de necessidades de importações. O presidente da Confederação das Associações Econômicas (CTA), Álvaro Massingue, já havia alertado para o impacto dessa situação no setor privado. “A escassez de divisas é atualmente uma emergência econômica. Sem moeda externa, as empresas não importam matérias-primas, não cumprem contratos e não crescem”, disse o executivo na abertura da 20ª edição da Conferência Anual do Setor Privado (CASP), realizada no ano passado. O diretor acrescentou ainda que “o Estado deve garantir prioridade no acesso a divisas para empresas produtoras e exportadoras, criar incentivos para quem exporta e substituir importações”. Por sua vez, o governador do banco central, Rogério Zandamela, tem insistido que há fluidez no mercado de câmbio, rejeitando qualquer necessidade de intervenção. Recomendações do FMI para melhorar o mercado cambial Enquanto isso, o Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou em fevereiro que Moçambique adote maior flexibilidade cambial, aproximando as taxas oficiais das praticadas no mercado paralelo. Segundo o órgão, “o adiamento das reformas agravará a crise e aumentará os custos de ajuste. É necessária uma ação imediata e coordenada com urgência para restaurar a estabilidade, proteger grupos vulneráveis e lançar as bases para um crescimento sustentável e inclusivo”. Na mesma avaliação, a instituição defendeu que a política monetária moçambicana “deve permanecer restritiva”, alertando que um eventual afrouxamento monetário pode agravar a atual escassez de divisas. O FMI acrescentou que “uma maior flexibilidade cambial ajudaria a reforçar a posição externa, restaurar o equilíbrio no mercado cambial, reduzir a lacuna entre as taxas oficiais e paralelas e melhorar a alocação de recursos”. A instituição também ressaltou que “as medidas de controle cambial não devem ser usadas como substituto de ajustes justificados na política macroeconômica”, defendendo que sua remoção seja feita de forma gradual e cuidadosamente planejada para evitar interrupções. Fonte: Lusaa dvertisement



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