Brasil lidera concentração de riqueza na América Latina

Por outro lado, metade da população brasileira mantém patrimônio estagnado e a carga tributária chega a cerca de 33% do PIB, diz a conclusão do relatório do laboratório de pesquisa sediado na Paris School of Economics e dirigido pelo economista Gabriel Zucman. O documento indica que a riqueza desses bilionários, que concentram cerca de 265 bilhões de dólares (225 bilhões de euros), cresceu quase sete vezes desde 2000, alcançando 556 bilhões de dólares (472 bilhões de euros). “Se ampliarmos o limite para os bilionários, o patrimônio acumulado chega a US$ 556 bilhões, o que equivale a um quarto do PIB brasileiro. Em contrapartida, o patrimônio de 50% da população permaneceu praticamente estagnado durante o mesmo período”, informa-se no estudo. Ao mesmo tempo, aborda o relatório, o Brasil tem uma carga tributária elevada em comparação aos padrões regionais. “O Brasil arrecada cerca de 33% do PIB em impostos, um pouco abaixo da média dos países da OCDE (34%) e bem acima da média da América Latina (21,3%)”, observa-se no documento. Apesar da carga tributária relativamente alta no Brasil, o sistema é considerado “fortemente regressivo”. “Os impostos sobre o consumo — incluídos nos preços de bens e serviços — têm um peso elevado, enquanto os que incidem sobre a renda e o património são relativamente baixos. Como todos pagam o mesmo tipo de impostos ao consumir, esses impostos incidem sobre uma parcela maior da renda das famílias mais pobres”, diz o texto. O relatório vem em um contexto de reformas tributárias no país e de debate internacional sobre a tributação dos mais ricos, tema que o chefe de Estado brasileiro, Lula da Silva, tem promovido em fóruns como o G20, presidido pelo Brasil entre 1º de dezembro de 2023 e 30 de novembro de 2024. Além do Brasil, o relatório do Observatório Fiscal Internacional analisa a interação entre desigualdade e impostos na América Latina, incluindo Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru e Uruguai, além de avaliar diferentes opções para fortalecer a tributação dos ultra ricos. A América Latina é descrita no documento como a segunda região mais desigual do mundo, com os 10% mais ricos concentrando cerca de 60% por cento da renda, enquanto metade da população recebe apenas 7%. A riqueza dos bilionários latino-americanos aumentou significativamente desde 2000, atingindo cerca de 700 bilhões de dólares (594 milhões de euros), enquanto o patrimônio da metade mais pobre registrou um crescimento muito limitado. A carga tributária média da região está em 21,3% do PIB, abaixo dos níveis da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o que limita a capacidade de investimento público em áreas como saúde, educação e infraestrutura. O relatório também destaca que os sistemas tributários continuam dependentes de impostos sobre consumo e trabalho, enquanto a tributação da riqueza permanece reduzida, contribuindo para a percepção de injustiça fiscal entre a população. O estudo estima que um imposto mínimo de 2% sobre grandes patrimônios poderia gerar cerca de R$ 24 bilhões (R$ 20,40 bilhões) por ano na região, reforçando a arrecadação e a progressividade fiscal. “Este relatório apresenta uma solução concreta para um dos principais problemas que as democracias da América Latina enfrentam: a coexistência de extrema desigualdade com sistemas tributários que não conseguem tributar adequadamente quem está no topo. Não é uma proposta radical — é um padrão democrático mínimo”, disse em comunicado o diretor do Observatório Fiscal Internacional, Gabriel Zucman.



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