CCT da Galp diz que negócio com Moeve é ”crime econômico”

“Este negócio privilegia o retorno imediato aos acionistas em detrimento da estabilidade dos empregos e da autonomia energética de Portugal, configurando o que classificamos como um ‘crime econômico e social’ contra o país”, disse a CCT em comunicado divulgado hoje. “Atualmente, a Galp é uma “empresa integrada de energia”, detendo toda a fileira: da extração à refinação e ao retalho, operando sobre a estrutura da Petrogal. Apesar da privatização, mantém um papel estratégico, detendo a única refinaria portuguesa, que produz cerca de 90% dos combustíveis no país”, diz o órgão no documento. Mas, na visão dele, o potencial negócio entre as duas petroleiras “representa uma mudança radical”. “A cessação desse modelo integrado elimina os efeitos de amortecimento entre os ciclos de valorização do petróleo bruto e as margens de refinação”, dizem, apontando que, em condições normais, esses ciclos funcionam de forma defasada e criam uma rede de segurança em que as receitas de exploração alavancam a produção nacional e a descarbonização de Sines. Em causa está o acordo não vinculativo assinado entre a Galp e os acionistas da Moeve (ex-Cepsa) – a Mubadala Investment Company, fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos, e o fundo norte-americano The Carlyle Group – para avançar com discussões sobre a junção dos respectivos portfólios de ‘downstream’ (refinação, petroquímica e venda de combustíveis) na Península Ibérica. O plano em estudo prevê a criação de duas novas plataformas empresariais: uma dedicada ao varejo de combustíveis e mobilidade (RetailCo), que reunirá as redes de postos de abastecimento e será co-controlada pela Galp e pela Moeve, e uma plataforma industrial (IndustrialCo), focada em refinação, petroquímica, ‘trading’ e combustíveis de baixo carbono (como biocombustíveis e hidrogênio). Nessa plataforma industrial, a Galp terá uma participação minoritária, superior a 20%, enquanto a maioria do capital ficará nas mãos dos acionistas da Moeve. Entre os ativos potencialmente integrados está a refinaria de Sines, considerada estratégica para o abastecimento energético nacional. Para os trabalhadores da Galp, a IndustrialCo expõe a refinaria de Sines, “principal ativo industrial do país, a um contexto adverso”. A CCT lembra as declarações do presidente executivo da Moeve sobre a produção de hidrogênio verde, “provavelmente nas refinarias ou simplesmente para o acesso ao porto de Sines como elemento estratégico para exportação”. Segundo os trabalhadores, essas declarações remetem a empresa “a um plano de negócios incerto e inviável nos anos mais próximos”. A comissão de trabalhadores também aponta que mesmo que a expansão da refinaria de Sines se concretize em pleno, para 200 megawatts, isso se compara à projeção de dois gigawatts nas refinarias da Moeve. “A CCT entende que a economia de escala associada à integração de ativos muito dificilmente será suficiente para tornar as margens de refinação atrativas a médio prazo aos investidores privados”, alerta, acrescentando que a capacidade investimento da nova empresa ficará seriamente comprometida, na medida em que o risco do negócio está “indexado aos custos de capital, determinando um futuro curto aos seus ativos, incluindo Sines”. As críticas foram dirigidas ainda à destruição de postos de trabalho e os trabalhadores voltaram a exigir que se tenha “noção exata da dimensão social” que pode representar este negócio, agregando os trabalhadores com contrato Galp Energia e Galp Gest que tenham funções na Petrogal. Os trabalhadores reafirmam que a perda do controle majoritário da refinaria de Sines pela Galp representa um ponto de ruptura para a empresa e “acarreta riscos severos para a soberania e a economia nacional”. “A retirada da refinaria de Sines do Grupo Galp torna a infraestrutura mais frágil diante da política de eliminação progressiva da refinação na União Europeia, reduzindo drasticamente sua capacidade de investimento autônomo”, acrescentam. A CCT também faz uma comparação com o fechamento da refinaria do Porto e teme que a unidade de Sines seja condenada “a um fechamento progressivo para salvaguardar margens de lucro de fundos internacionais”. O Estado detém, por meio da Parpública, 8,2% do capital da Galp. Leia Também: Produção de petróleo da Galp cresce e gás natural dispara no 4º trimestre de 2025



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